30 dezembro 2025

para que o 2026 seja bom...

Tu tens de descobrir o mundo fora de ti para estar viva, não longe há coisas boas perto: temos que saber que somos privilegiados em todos os momentos, ontem, hoje e amanhã. 

Respirar. Saborear após sentir fome. Conversar. Já pensaste que há gente muda: eu não sou mudo. As palavras a deslizar. O som. Os ouvidos. O corpo humano. O sentir. O falar. O esticar. O fazer bem algo. O elogiar alguém. As recordações. A amizade. O próprio existir dar luta. O dormir. O descansar. O amor. Gostar de ser livre. O tempo. O amanhã. O que está para vir. O ouvir. O saborear. O mimar. Fazer bem aos outros. Imaginar. Imagens. Brincar com as palavras. Sentir leveza após cansaço. Pensar. As ideias. O mundo tem muitas coisas mágicas. O sol. A natureza. A biologia. O mar. O nadar. Apanhar sol e vento. Ficar morenos, bronzeados, quentes e frios, enroscar na toalha e na areia. As cores. Pintar mesmo que sem jeito. Os segredos. Os silêncios. O interior dos outros. Escrever. Ler. Aprender. Viajar sem sair do lugar. Fantasias e fantasmas. O corpo sempre a mudar. Inventar. Fazer partidas que não devem ser feitas. Imitar. Gestualizar.

21 dezembro 2025

Natal de 2025... nascer significa vir ao mundo


Todos nascemos.

Todos construímos vida a partir de um nascimento de dor, sangue, órgãos e lágrimas, uma sujidade imunda, o nosso corpo tem qualquer coisa de divino sempre em constante ajuste, nunca somos completos

Muito amor também, perdoem-me os mais céticos: todo o Nascimento tem de ter algum amor, mas ‘há sempre exceções a cumprir a regra’.

Esta história da vida e do corpo foi bem esgalhada. Quase divina se não errássemos tantas vezes.

E a partir daqui, do nascimento, passamos a ser responsáveis pela nossa limpeza, talvez seja gradual.

Com dois anos ninguém toma banho e veste-se sozinho.

De bebés para crianças, jovens, adultos, velhos.

Homens e mulheres, transgéneros.

Nunca somos inteiramente só masculinos e femininos, está tudo envolvido no mesmo corpo e alma; todo o homem machão tem uma mãe dentro dele e vice-versa; a mulher mais feminina tem qualquer coisa de macho, lamento.

Eficientes e deficientes, gordos, atléticos e magros.

O corpo dá uma trabalheira a limpar areia na praia.

E óleo das mãos; organizar porcas e parafusos numa oficina, encher pneus numa bicicleta.

Arranjar motores e colocar rodas quando furam já foi mais difícil, agora há computadores e inteligência artificial

Do norte, centro e sul: o mundo, o planeta é imenso, vasto, longo, amplo e livre; na maioria dos casos estamos presos por laços de afeto e sentimentos.

Com vários tons e cores: mais e menos bronzeados, tostados, pálidos, negros, ruivos; várias cores e o arco-íris, que linda é a natureza.

Na verdade, por muito egoístas que sejamos é impossível vivermos sozinhos, sem os outros, à parte do mundo, é complicado estar isolado, ser solitário.

Comer o pão e beber leite pela manhã só é possível por termos padeiros, vacas e leiteiros.

Tudo precisa dos outros.

Do acordar ao deitar, do nascer ao morrer, na saúde e na doença, até que a morte nos separe a dançar.

E vivemos para ajudar a sociedade a ser melhor.

Desde sempre e em tudo o amor deixou de ser parte naïve e ingénua para passar a ser uma ideia construtiva que não se alimenta só no Natal e é diária, habitual deve ser (perdoem-me o moralismo) desperta por ti, por mim e por nós; há pessoas mais independentes e autónomas.  Desconfio, que nunca nenhum de vocês passou uma semana trancado e isolado do mundo.

E o Natal é um espaço de recarregar baterias.

É boa comida, doces, são pessoas amigas, é gente, é festa.

É lembrar que a vida é um privilégio e não um direito

- BOM NATAL -


03 dezembro 2025

O dia 03 de dezembro é o dia da deficiência.



Somos 16% da população mundial, 1,6 em cada 10 pessoas temos o corpo maltratado, partido em partes, malformado.

Amanhã vamos continuar deficientes e ninguém se vai lembrar de nós…

Quando parte do corpo é afetado pareces ganhar superpoderes, quando um sentido é afetado os outros tornam-se melhores, tornas super-herói ou coitadinho. Entras numa nova qualidade: Os deficientes, somos imensos! Parece que o mundo vai acabar, mudas e tens de reaprender a viver com teu novo corpo. Tudo é novo: comer, dormir, a mobilidade, a comunicação, tens de nascer de novo e SER outro.

E quando sentimos fragilidades procuramos conforto e proteção, nos amigos, na família, no amor, na gente da saúde: auxiliares, terapeutas (fisioterapeutas, terapeutas da fala e ocupacionais) enfermeiros e médicos todos são poucos quando adormecemos ao volante, temos um TCE, um AVC, uma tetraplegia, uma paraplegia.

Normalmente, quando entras no mundo deficiente conheces pessoas fortes com todas as maleitas, como se o mal te desse uma força ENORME, imensa.

Tornares-te DEF dá-te resiliência, implica uma certa bagagem, um certo orgulho, quase vaidade, não é unânime este estado de soberba. Há movimentos de vida independente, de que nunca ouviste falar e te dão autonomia.

Nem tudo é bom, andas muito mais propenso ao estado e à pobreza, se para uma pessoa banal é complicado viver, para um deficiente sem apoios torna-se terrível.

A vida não é um direito, é um privilégio