6.25.2017

Single man (Direito de Amar na tradução para português)

Produzido por Jonh Ford este filme de 2010 deve ser visto, aconselho!

 
George é um professor universitário que recentemente perdeu seu parceiro, Jim, em um acidente de carro. Muito abalado, ele planeia cometer suicídio. Conforme a rotina diária acontece junto de colegas de trabalho, estudantes e uma velha amiga, ele tomará sua decisão final.

Muito engraçado pelas conversas e ideias que tem e aborda.

6.24.2017

começar um rabisco como quem pinta uma pintura

Quando a câmara se aproximava tinha por ideia pintar, como quem filma, uma pessoa que criaria pela imaginação: exercício engraçado mas adiado, vou pegar numa pessoa já existente para começar.

Quero ter o prazer de dotar este blogue da responsabilidade de fazer uma homenagem a uma menina que tem 93 anos de idade (!?), de fibra, de coragem e gosto em cá andar: 

Alguém que nos lembra o prazer de existir!!!
Menina de 93 anos? 
Para durar tantos anos deve ter tido sempre uma vida fácil, de cházinhos com as amigas!!!
O quê!? não tem nem teve a vida fácil, não pensem, nenhuma vida gira se faz sem luta e ela tem uma vida que elogia quem tem o prazer de a conhecer; gostava que conhecessem, tem outra raça, já não se faz daquela, uma raça aprendida com e ensinada pela Vida.

A ONDINA é muita força, é um exemplo que nega a ideia de coitadinhos e nos diz para enfrentarmos a vida, que governa com elegância. 

Quando digo governar é cozinhar e cuidar de si, das amigas e da casa com maleitas próprias de cá andar que todos temos, matriarca protectora de si mesmo.

Avó adoptiva, daquelas pessoas com que nos cruzamos em miúdos e acompanham nosso crescimento.

Mana da Carolina, com quem ria marota (uma batotinhazinha todos fazemos, diz a sorrir com olhar lindo e juvenil, é bem bonita!) e ia à igreja, ao café, às compras, à praia no verão e à igreja, companheiras!!!

É com prazer que recebemos o 'tenha a bondade'  quando atende o telefone, canta todos os anos muito afinada os parabéns a cada um dos seus!

 GOSTO DAQUELA MENINA!

6.21.2017

duas alcunhas



trailer de Micróbio e Gasolina de Michel Gondry

Este filme é boa energia à solta, faz-nos reviver uma idade de crença, criatividade e companheirismo (e outros adjectivos não só em C...), é o fascínio do cinema de nos fazer viajar por outros tempos e outros mundos.

Um estilo on the road em que dois adolescentes (Micróbio e Gasolina) de duas classes e culturas bem diferentes  resolvem fazer um carro estilo roullotte e fazer-se à estrada.

 

Ao especialista instantâneo em incêndios (por Rui Tavares)

Há uma variável na equação dos incêndios em Portugal que nós podemos mudar: desenvolvermo-nos mais
É solitário não se ser especialista instantâneo em incêndios por estes dias. Eu não sabia que vocês eram tantos na nossa vida: às vezes parece que por detrás de cada telemóvel e de cada teclado, de cada microfone e página de jornal, de cada câmara e em cada estúdio, há um especialista instantâneo em incêndios. A convicção de cada um é grande, as certezas fulminantes. Às vezes gostaria de fazer uma troca: ouvir-vos menos agora para ouvir mais os especialistas não-instantâneos (também conhecidos por "aqueles e aquelas que se deram mesmo ao trabalho de estudar e pensar prolongadamente sobre um determinado tema") durante o resto do ano.

Mas não. Nós sabemos as regras do jogo. A sazonalidade dos fogos determina a dilatação do perímetro de especialistas e a multiplicação dos espécimes opinativos. São eles o preço a pagar por podermos ouvir também os especialistas não-instantâneos (ou, como eu lhes prefiro chamar, "aqueles e aquelas com quem se aprende qualquer coisa") que estão cada vez melhores. Distingo-os à maneira possível aos pobres não-especialistas como eu: aquelas e aqueles com quem se aprende alguma coisa, além de não costumarem aparecer no resto do ano, são menos definitivos nas suas respostas, repetem muitas vezes que "é complicado" (para desespero dos entrevistadores) e têm, em geral, um ângulo ou abordagem que perseguem há anos, metodicamente: sabem que proteção civil não é idêntica a proteção ambiental, que o ângulo da desertificação não é o mesmo das alterações climáticas, que a prevenção e o combate não têm os mesmos princípios nem os mesmos objetivos, etc. Sabem que precisam uns dos outros para avançar no conhecimento e nos resultados.

Já o especialista instantâneo não precisa de mais ninguém. Fala ou escreve como se a sua torrente de opiniões apagasse os fogos. Quem dera. Mas a torrente de opinião muda de rumo todos os dias. No primeiro dia, choque e consternação. No segundo dia, escândalo e indignação. Ao terceiro dia, a sentença: nada vai mudar a não ser para pior, vai continuar a haver incêndios e mortes, o país é uma esterqueira. É aí que estamos agora.

Esta profecia tem a vantagem, para quem a profere, de não poder falhar. E, no entanto, eu acho que, na sua certeza, ela está errada. Porquê? Como não-especialista que sou, procedo por analogia.
Em tempos Portugal tinha altíssimos níveis de sinistralidade rodoviária. Sou suficientemente velho para me lembrar de quando os cintos de segurança se tornaram obrigatórios, de quando os testes de alcoolemia se tornaram banais, de quando as rotundas começaram a pipocar nas vilas e cidades do país. Em cada um destes momentos houve especialistas instantâneos que proclamaram instantaneamente a inutilidade destas e outras medidas semelhantes. Não pensem que exagero: lembro-me de um colunista importante e definitivo que, então nas páginas deste jornal, jurava que continuaria a guiar em excesso de velocidade porque a culpa dos acidentes era dos outros condutores piores do que ele. Mas a verdade é que, por virtude de muitas pequenas boas medidas, a sinistralidade rodoviária em Portugal diminuiu e muito. Fala-se pouco disso hoje: deixámos de ser uma mancha negra nas estatísticas. Desenvolvemo-nos.

Pois bem. Há uma variável na equação dos incêndios em Portugal que nós podemos mudar: desenvolvermo-nos mais. E, contra a torrente opinativa, acredito que queremos mudar essa variável, e que o vamos fazer. Um dia haverá menos fogos incontrolados (sim, apesar das alterações climáticas: é uma questão de nos prepararmos melhor para elas) e muito menos mortes em incêndios em Portugal. Esse dia será devidamente anotado pelas estatísticas e talvez passe no fim de um noticiário, dando um nó na garganta a quem perdeu os seus amados nos fogos e nunca os esquecerá. Sei disto porque os especialistas não-instantâneos (ou, como lhes deveríamos chamar, os especialistas) têm dito muitas coisas sensatas e implementáveis. Quanto aos especialistas instantâneos (ou, para ser preciso, não-especialistas) deveriam talvez ouvir mais. Para não dizer, como é costume deles, que podem sempre ir limpar matas.



Ando há uns dias para escrever este post correndo o risco de parecer insensível mas quanto mais se fala (tornando-nos especialistas instantâneos em incêndios) nos incêndios de Góis mais aumentamos/agravamos um problema já de si Enorme! 

Não resolve nada e não melhora a vida de ninguém mostrares que estás muito atento falando dos 1000 casos dramáticos que daí resultaram...

Das ruínas nasce vida, todos nós nascemos em sangue e confusão: e também aqui como no incêndio de Londres nasceram correntes de solidariedade com FORÇA Humana!

6.18.2017

Carta para toda e qualquer pessoa

Não é certo que fales sempre vincando o mesmo corte com o passado mas também não é certo encarares esse corte como uma derrota e não como a necessidade de te reergueres negando a tua personalidade.

"A maior glória não está em nunca cair, mas sim em levantar-se sempre, depois de uma queda." - Confúcio 

A vida muda imenso, é essa a sua magia, nunca sabermos como vai mudar e de onde vai soprar o vento. 

É com cada um arranjar maneiras de a cabeça se ocupar com outras coisas.

A estrada da vida não é a direito e pede para respondermos aos desafios que ela nos põe, tem curvas, estradas a direito e lisa, subidas com buracos, descidas, vento, chuva, sol, tem de tudo: olha, é vida, no que ela tem de melhor e imprevisível. 

A subida para nos tornarmos pessoas melhores não é uma linha direita, é mais como uma espiral inclinada.

O nosso Eu dá muito trabalho se pensarmos nele todo o tempo, liberta-te dele, tiras-lhe importância falando nele sobre tudo, dás-lhe importância tormando-o raro!

Há uma diversidade enorme de gostos e coisas que sabem bem também há coisas piores, importa valorizar as melhores! não são poucos os ganhos de estar vivos!

6.12.2017

Corso, ricorso (José Pacheco Pereira)

Se Macron prosseguir em França a mesma política de austeridade dos últimos anos, com os mesmos alvos sociais, os demónios que parece apaziguar, levantar-se-ão todos de novo.
 
O tema do dia de hoje são as eleições francesas, mas confesso que são para mim as menos interessantes das eleições recentemente ocorridas. Esta minha falta de interesse, certamente erro meu, acompanha também um desinteresse considerável com a política francesa em que nada me parece inovador e de “futuro”. Bem pelo contrário, mesmo apesar do terramoto eleitoral suscitado pelas presidenciais, que deixou numa situação de párias os grandes partidos tradicionais, nem mesmo assim saiu daí nada de muito novo. Saiu Macron, o homem de quem os conservadores, e a esquerda do “ajustamento” gostam e que, convém lembrar, vai ser um digno sucessor de Hollande.
Já todos percebemos que as eleições não eram o que costumavam ser, os partidos de governo são cada menos de governo, os partidos novos que se criam ou são “movimentos” mais do que partidos, ou são a reciclagem quase sempre não conseguida de partidos velhos. O papel do populismo é importante, mas é um chapéu demasiado grande para nele caberem todas as coisas que se querem lá meter, uma das quais é a confusão entre popular e populista e a outra é chamar populista a tudo o que não é conservador ou centrista. Outra ainda é uma flutuação entre temas de direita e de esquerda, que muitas vezes não acompanha o proselitismo das estruturas políticas tradicionais.

Em 2016, Trump enfiou um monumental barrete na opinião e no jornalismo ilustrado. Depois disso, pelo menos nos EUA, o jornalismo melhorou muito e aprendeu mais lições do que o Partido Democrático que bem precisava delas, mas o abalo ainda se faz sentir. O abalo fez-se em vários sentidos, tanto mais que ele acordou todo um movimento social e político de “resistência” como não se via na América desde a guerra do Vietnam. E Trump coloca um grande desafio á Europa que não pode ser nem residualmente “trumpista” como foi Theresa May.

Mas Trump não foi o único, Bernie Sanders fez algo de muito semelhante. Ter um candidato presidencial com considerável sucesso, que se proclamava do “socialismo”, era nos EUA uma coisa quase impensável, e a mobilização da juventude à sua volta, acaba por dar um impulso à “resistência” a Trump. Essa “resistência” vai ser mais longa do que a pressa de alguns democratas que pensam que o “impeachment” está á porta e se livram de Trump com facilidade. Não livram, mas a América vai ser muito diferente depois dele, como acontece sempre com personagens carismáticas, e Trump é-o. O panorama da política, e por arrasto da comunicação social, vai ser pela primeira vez do século XXI e não do século XX. Aqui os EUA estão à frente.

Em 2017, Corbyn fez o mesmo no Reino Unido. Maltratado até ao limite pela imprensa britânica da direita à esquerda, considerado uma excrescência ideológica dos anos sessenta, uma espécie de morto-vivo que tinha ressuscitado do passado como uma múmia amaldiçoada, humilhado pelos conservadores e pelos partidários da “terceira via”, sempre com prognósticos de que iria acabar no dia seguinte, conseguiu um excelente resultado para o Labour, no meio de uma conjuntura que May e a imprensa pensavam ser de derrota esmagadora para os trabalhistas. Não adianta dizer que “todos perderam”, porque o Labour não ganhou as eleições, mas, aquilo que agora se chama o “momentum” está do seu lado. Não se pode dizer que esse “momentum” dure sempre, mas enquanto dura condiciona toda a luta política.

Quer Bernie Sanders, quer Corbyn mobilizaram os jovens como nenhum candidato fez no passado recente e abriram caminho para que se pudessem discutir temas e políticas que foram diabolizadas nas últimas décadas. Deixou de haver uma agenda “ultrapassada” e outra “moderna”, um dos instrumentos ideológicos dos partidários do “ajustamento”, para retirarem da vida política aceitável, bem educada, “realista”, todo uma panóplia de medidas que quase foram ilegalizadas, do socialismo, da social-democracia, do keynesianismo. O “não há alternativa” é a principal vítima dos processos eleitorais recentes, mesmo na América de Trump.

É verdade que em França, também as coisas estão a mudar, mas bastante menos que no Reino Unido e nos EUA. O sistema político desagrega-se pouco a pouco, perde capacidade de, por exemplo, condicionar de forma significativa as presidenciais, mas mantem uma considerável resistência conservadora à mudança como “surpresa”, a única mudança que implica um sentido de história. O sistema eleitoral francês de duas voltas também tem um efeito de marginalização, retirando a muito eleitores a possibilidade de verem reflectida a sua força numérica no sistema político.
Num contexto de enorme abstenção, a vitória esmagadora do proto-partido de Macron, mostra mais a força do conservadorismo francês do que qualquer impulso de mudança. Ela será saudada pelos europeístas, que não querem nenhuma mudança na Europa e vão prosseguir a mesma via de desastre que levou à reacção do Brexit e ao esvaziamento democrático da União, com a correlativa crescente contestação das políticas europeias. Pensam que Macron vai “reformar” a União naquilo que ela precisava, mais democracia nas nações, menos burocracia em Bruxelas, mais diferença e menos “unidade” à volta da Alemanha? Não vai. Passada a novidade, corre-se o risco de, com um eixo franco-alemão com a França com mais força, prossiga a mesma política centralista.
Será também saudado pelos nostálgicos da política habitual do centrismo europeu, e pelos saudosistas da “terceira via”, como uma receita ao mesmo tempo contra o populismo e o nacionalismo, e contra aquilo que tem vindo a ser chamado o “populismo” de esquerda. Os que intimamente ficaram furiosos com a performance de Corbyn, - e muita gente nos partidos socialistas preferia a direita a “essa esquerda”, - ficam hoje felizes com Macron.

Na verdade, a França, com a implosão dos socialistas ficou no essencial com duas forças políticas organizadas e com capacidade eleitoral, os republicanos gaulistas e a FN. O “Republique en marche” é demasiadamente uma coligação de circunstância, destinada a dar uma maioria parlamentar ao Presidente Macron, No entanto, o “centrismo” de Macron pode ser um epifenómeno que subsistirá enquanto houver o perigo de Le Pen e terá muitas dificuldades em se estabilizar como um partido político, em particular, quando as políticas sociais de Macron aparecerem. Macron, como se sabe, foi o inventor da Lei do Trabalho que causou a maior reacção social nos últimos anos em França,
A destruição dos grandes partidos da esquerda francesa, o PSF e o PCF está longe de ser substituída pelos “movimentos” à volta dos grupos anticapitalistas que herdaram a tradição trotsquista, que deixam a esquerda francesa com praticamente duas forças com o mesmo peso, sendo uma delas o PS, que convém não esquecer estava no poder até há bem pouco tempo, e o “France Insoumise”, cuja performance eleitoral é razoável, mas está longe de ser um movimento próximo do que foram os jovens corbynistas no Reino Unido.

A França tem poucas forças interiores a favor da mudança em comparação com a Espanha, a Itália e o Reino Unido, e são essas forças, e só essas forças, seja pelo seu crescimento e afirmação, seja pela reacção que provocam, as únicas capazes de proceder a alterações significativas do sistema político. Se Macron prosseguir em França a mesma política de austeridade dos últimos anos, com os mesmos alvos sociais, que tanto agrada a Berlim e ao Eurogrupo, os demónios que parece apaziguar, levantar-se-ão todos de novo. Só a ruptura com essa política pode hoje na Europa introduzir “novidade” no sistema político.

o hábito...

... todos os dias escolhia um tom colorido para fazer traços leves na folha deitada sobre o cavalete montado ao canto do quarto defronte do espelho.


Era um trabalho giro: exercitar a imaginação, quase que podia voar.

O cavalete já tinha sido acusado de usurpador do espaço de quem ia fazer a cama: 'Arte? Parecem uns desenhos infantis, qual arte? E a AVD? Actividades da Vida Diária? Não é arte? Passas a dormir com a cama desfeita, vais ver!?'

E sujava-se/molhava-se todo... mas era libertador, fugia do mundo, era giro!

6.11.2017

há qualquer coisa que viaja...

...  quando estás à espera de alguém e a ver as pessoas chegar ao aeroporto.

tanta gente que não conheces:

- chegados entusiasmados ao local escolhido para passar férias;

- chegados entusiasmados a regressar ao local escolhido para viver;

e o ar é sempre de quem procura e descobre...  e imaginas mil mundos diferentes. Mil espaços e mil tempos, soltos, leves, arejados, solarengos.

mulheres;

homens;

crianças;

jovens;

terceira idade... às vezes quarta;

capazes;

limitados;

do norte;

de países vizinhos;

do sul;

de todo o lado;

fazes histórias mais ou menos surreais, reais... muito imaginas nas tuas viagens: isto de ser pessoa tem algo de inacreditável.

A era do imprevisível - nunca como antes, se lê o futuro!

Não era previsível que a maioria dos cidadãos do Reino Unido votassem a favor da saída da União Europeia ou que Donald Trump fosse eleito Presidente dos Estados Unidos.

Não era previsível que um partido derrotado nas eleições legislativas em Portugal conseguisse um inédito apoio parlamentar dos partidos à sua esquerda para formar Governo, que esse Governo sobrevivesse até hoje, possa completar a legislatura e o partido em questão esteja em condições de alcançar a maioria absoluta nas próximas eleições.

(Por cá,  o mais certo é Costa não abandonar as mãos que o apoiaram...mesmo se já não vai precisar do apoio da esquerda para ter maioria absoluta, vê-se que ter que trabalhar com tanta diferença: BE, PCP e Verdes - ajuda à igualdade.)

Não era previsível que um candidato quase sem historial político ganhasse as presidenciais francesas e que o partido formado com base nessa candidatura se encontre à beira de alcançar o maior número de deputados no Parlamento, renovando radicalmente a paisagem política do país. E não era também previsível que a primeira-ministra britânica, a quem se vaticinava há menos de um mês uma folgada maioria em Westminster, tenha ficado dependente de um partido norte-irlandês para formar um novo Governo e levar por diante – em posição obviamente muito debilitada – a negociação do Brexit com a União Europeia. Não, não era de todo previsível.

(e May passou de prazo em Juin...)


Se cada caso é um caso, esta conjugação de imprevisibilidades, de volatilidades, num tão curto espaço de tempo, não deixa de ser perturbante, como se tivéssemos perdido as referências em que nos habituáramos a confiar, desde os instrumentos habituais de previsão e análise – sondagens, estudos de opinião – até à nossa própria percepção da realidade.

Tanto assim é que os próprios actores dos acontecimentos tendem a ser ultrapassados por eles, como vimos em Portugal com a anterior maioria governativa mas, sobretudo, como sucedeu por duas vezes no Reino Unido, com os clamorosos erros de previsão dos líderes conservadores: David Cameron ao apostar no referendo sobre o Brexit, convicto de que a maioria dos britânicos não desejavam sair da União Europeia (UE), ou a sua sucessora Theresa May, acreditando num triunfo eleitoral esmagador sobre os trabalhistas que lhe daria um trunfo decisivo no processo negocial com a Europa.

Pode dizer-se que May foi vítima da sua própria mediocridade política, da sua incoerência de princípios – apoiou, embora frouxamente, Cameron, também ele dúplice, aliás, quanto à permanência do Reino Unido na UE – ou do clima de tensão suscitado pelos atentados terroristas de Manchester e Londres. Mas o processo dos acontecimentos em apenas algumas semanas, contrariando a grande maioria das expectativas e convicções iniciais, mostra como a velocidade de propagação do imprevisível pode provocar um abalo sísmico do que supúnhamos ser as tendências solidamente implantadas da realidade.

Imprevisível, de facto, um líder tão pouco carismático e anacrónico como Jeremy Corbyn – típico representante do velho socialismo britânico de extracção trotskista – ter-se tornado, no tempo de uma campanha que deveria servir para enterrá-lo definitivamente, o emblema da insubordinação face a um remake amadorístico de Thatcher, como é May. As receitas arcaicas de Corbyn, com o regresso ao Estado providência e nacionalizador dos saudosos tempos do Labour, disfarçando o seu jogo duplo sobre o Brexit, acabaram por parecer quase uma ousadia refrescante face ao conservadorismo amorfo e enfatuado de May.

Não são apenas a pós-verdade e os «factos alternativos», tão caros a Trump, que estão em voga. Vivemos também numa era do imprevisível, em que as certezas aparentemente implantadas podem voar em estilhas por força do que nos surge – para o mal ou para o bem – como um sinal de mudança ou novidade. Nada se perde tudo se transforma.

6.05.2017

parecem doutro mundo mas estão neste...

Polvos ou Covfefe – o gerador de patetice

Há várias razões para achar que Donald Trump não está muito bem da cabeça.

O presidente Trump publicou uma nota no Twitter que começa a atacar a comunicação social e depois acaba abruptamente com uma palavra que ninguém sabe o que significa, ninguém sabe como se pronuncia e ninguém sabe, sequer, se é uma palavra: “Covfefe.” Há uma explicação simples para o que aconteceu, mas com Trump não há explicações simples, só simplistas ou irracionais, ou seja, não-explicações. A explicação simples é que ele se enganou e queria escrever outra palavra qualquer e como era de noite e devia estar cansado ou adormeceu ou mandou para o éter o tweet sem o verificar e foi à sua vida, cuja eu não quero de todo saber qual foi. Erros de ortografia, lexicais e outros são comuns nos seus tweets, por isso não é novidade a falta de cuidado com que os escreve.

Acontece que, quando toda a gente se interrogava sobre o que é que significava “covfefe”, com literalmente centenas de milhares de mensagens, consultas a dicionários, procuras na Internet, e perplexidade geral, ele, de novo a horas impróprias, retirou o tweet original e substituiu-o por outro: “Quem é que é capaz de descobrir qual o verdadeiro significado de ‘covfefe’??? Divirtam-se!!” Na versão do tradutor do Google, tão apropriada na asneira que é o ideal para “traduzir” Trump, fica assim: “Quem pode descobrir o verdadeiro significado de “covore”??? Apreciar!” “Covore”? O que é “covore”? Agora já temos duas “palavras” enigmáticas. A Google está feita com o Trump.

Claro que eu me interrogo sobre quanto tempo Trump nos faz gastar para perceber o que é “covfefe”, que ele reafirma ser uma palavra com “significado” e o pobre do Sean Spicer teve de explicar que o “Presidente e o seu círculo mais próximo” sabiam muito bem o que era “covfefe���. Ele, apesar de ser o porta-voz do Presidente, não sabe o que é, visto que teve de fugir de cena com os gritos dos jornalistas a perguntar-lhe o que é que significava. Sim, tenho imensa sensação de tempo perdido — e de artigo perdido, visto que estou a escrever sobre isso — com este “covfefe”, que é uma espécie de gerador de patetice que nos faz também ser patetas. Mas, que raio, ou à Trump, QUE RAIO!!!, ele é Presidente dos EUA e o que diz e o que escreve tem sempre enorme importância, visto que o faz com os mesmos dedinhos com que pode digitar os códigos nucleares. E se ele estiver doido?

Há várias razões para achar que ele não está muito bem da cabeça, como, aliás, vários chefes de governo europeus e do G7 suspeitaram depois de estarem três dias metidos em salas com ele. Tiveram literalmente que aturar um homem que diz que nunca se engana, e, pior ainda, que acha que nunca se engana, que nunca é responsável pelos seus actos quando eles correm mal, que está convencido que a sua própria presença induz um magnetismo de tal ordem que o torna num “negociador” genial (parece que não resultou com o conflito israelo-palestiniano), que, pela sua mera existência, gera “acontecimentos históricos” uns atrás dos outros (“vários”, disse Spicer, aconteceram na sua recente viagem), que “acerta” em tudo com “golos” atrás uns dos outros (ele usou a linguagem do basebol, mas em “futebolês” é assim) e por aí adiante. Sabemos ainda outra coisa, no contexto do “covfefe”, que é um mago com as palavras, como ele próprio afirmou na campanha eleitoral: “Escolho sempre as melhores palavras.” Disse-o numa frase em que elogiou o poder da palavra “estúpido”. Também acho que é uma palavra poderosa.

Bom, podemos considerar que estamos perante um megalómano, mitómano, narcisista, ignorante, preguiçoso, bruto, mentiroso, amoral, desprovido de qualquer percepção de que o mundo exterior aos seus desejos existe e é de natureza distinta, ou seja, cuja relação com a realidade é quase nula, o que tem um nome bastante parecido com doido. Poder imaginar podemos. Basta ler os tweets para perceber que esta descrição é tão rigorosa como exacta e que, se pecar por alguma coisa, é por defeito, mas pode dizer-se que daí a doido vai alguma diferença. Talvez, mas esta diferença está a reduzir-se, até porque o homem se sente acossado, pelas “fake news”, pelas “traições” no interior da Casa Branca, pelas fugas de informação, pelo “deep state” deixado por Obama, pelas “regras” do Congresso e do Senado que o impedem de governar só com ordens executivas, pelos alemães, pelos mexicanos, pelos norte-coreanos, pelos iranianos, pelos cómicos das televisões, pelo FBI, pela CIA, pelos tribunais, pelos democratas.

São alguns marxistas os que encontram em Trump mais racionalidade, o que não deixa de ser irónico. Eles acham que Trump tem um moinho e leva a água ao seu moinho, sejam quais forem as “distracções”. O moinho são os seus interesses e os dos seus amigos bilionários que trouxe para o Governo, e os defensores desta tese na esquerda marxista vêem todas as acções de Trump como paradigmáticas do carácter selvagem do capitalismo americano, de que ele seria o principal instrumento. Há dias, como o de hoje, em que os célebres “mercados” parecem validar estas teses, dando às mais absurdas medidas de Trump a racionalidade da Bolsa. E ele corre feliz para o Twitter a escrever aqueles fabulosos auto-elogios e a citar o seu eco, a Fox News: “Wall Street atinge recordes depois de Trump sair do Acordo de Paris.” Isto implica que há quem esteja a ganhar muito dinheiro com Trump, por muito conspiratórias que sejam as teorias que explicam as suas acções. E esses não são doidos.

O problema é que o barco onde Trump navega à vista é um lugar perigoso. É-o para nós, mas é também para ele e para os que com ele vão, como os republicanos começam a perceber. É verdade que Trump tem ajudado a impulsionar a agenda mais radical da direita (a deles e a nossa), mas há uma profunda inconsistência e um impulso autodestrutivo — o melhor exemplo é o Twitter de Trump — que mantém a democracia americana debaixo de uma tensão sem precedentes. E aí Trump está a perder, como se vê em todas as sondagens, mesmo as da Fox News. A perder substantivamente em matérias em que estava a ganhar, como a segurança social e o sistema de saúde dos americanos mais pobres, muitos dos quais foram seus eleitores. E, como a criação de emprego e as melhorias económicas estão longe de lhe poderem ser atribuídas — vinham já da Administração Obama —, os efeitos destrutivos acabam por se impor quer internamente, quer num mundo em que, com excepção dos seus ditadores preferidos e dos sauditas de espada desembainhada, Trump é uma espécie de pária, tão perigoso como ridículo.

Têm a certeza que ele não se veste de Napoleão, mete a mão na jaqueta e se olha ao espelho no meio dos torcidos e tremidos dourados de Mar-a-Lago? Ou de Putin? Ou de Erdogan? Ou até desse “rapaz” Kim Jong-un, com cujo “peso” de responsabilidades juvenis ele sentiu uma genuína empatia dizendo que ficaria “honrado” em encontrar-se com ele? Eu não tenho. E já agora “covfefe” para Trump!

5.25.2017

Porque falo de ruínas e de destruição? (Henry Miller)

Porque são fascinantes!

 Porque se formos  sensíveis e nostálgicos são poemas! (Henry Miller)

E deles nasce vida, todo o bebé que nasce, nasce no caos.
São sempre esperança de coisas presentes no futuro.



Carta a um filho após o atentado de Manchester (João Miguel Tavares)

Numa guerra onde há quem queira destruir tudo o que amas, continuares a ser quem és e a fazer o que te apetece é a mais bela forma de resistência.
Ainda há cinco dias estavas no Meo Arena a assistir ao filme-concerto do Harry Potter – tenho pensado nisso nos últimos dias. Aquilo que aconteceu em Manchester poderia ter acontecido em Lisboa. Nós temos a sorte de viver num país pequeno, com uma comunidade muçulmana pacífica e integrada, mas os terroristas islâmicos odeiam da mesma forma ingleses, americanos, franceses, belgas, alemães, suecos ou portugueses – não porque lhes tenhamos feito alguma coisa, mas porque não aceitam a maneira como vivemos. Odeiam-nos por aquilo que somos, e esse é o pior ódio de todos. Para eles, o bem que possas fazer ao longo da tua vida não compensa todo o mal que representas neste momento. É uma ideia horrível, eu sei, mas não desesperes: cada um de nós tem a arma certa para combater essa ideia. O papá, a mamã, os teus manos – e tu também.

Desde logo, perante tanto ódio, a primeira coisa que deves sentir não é medo, mas gratidão. Uma gratidão profunda por teres tido a sorte de nascer em liberdade, num país democrático, onde cada um de nós – e também os partidos, o Governo, os tribunais – acredita que todas as pessoas têm os mesmos direitos, sejam elas velhas ou novas, ricas ou pobres, cultas ou analfabetas, homens ou mulheres, cristãs, muçulmanas ou ateias. Os terroristas islâmicos não aceitam isso. Aliás, eles odeiam tais ideias. Mas foram esses princípios, pelos quais muitos homens bons e corajosos lutaram e morreram ao longo dos séculos, que nos deram tudo o que temos: a paz, a prosperidade, a possibilidade de cada um alcançar os seus sonhos se trabalhar o suficiente e tiver suficiente talento. Eu sei que tu nunca conheceste outra forma de viver, e dás isso por adquirido, mas há muita gente que não tem a tua sorte. Tens o dever de honrar a memória de todos os que lutaram – e ainda lutam – pela liberdade.

Outra coisa que tens de fazer, apesar de todo o horror que vês na televisão, é lembrar-te que por cada gesto de ódio há mil gestos de bondade. Por cada terrorista que se faz explodir há mil pessoas que ajudam as outras, que as levam a casa, que lhes dão abrigo, que curam as suas feridas, que as consolam. A esmagadora maioria das pessoas à tua volta é gente boa, que todos os dias dá o seu melhor. Nunca, mas nunca, cedas ao desespero de achar que no mundo a maldade supera a bondade. Se nós hoje vivemos muito melhor do que há mil anos, se hoje em dia o mundo é um lugar muito menos violento, é porque no coração do ser humano a luz ganha às trevas. Pode não ganhar todas as vezes. Pode não ganhar durante muito tempo. Mas a bondade, o amor e a justiça são para nós o que os dentes e as garras são para os predadores – instintos preciosos que preservaram a nossa espécie ao longo de milénios.

E nunca te esqueças: apesar do teu tamanho e da tua idade, já tens a arma mais importante de todas para combater estes homens terríveis. Esquece as pistolas e os coletes à prova de bala – a melhor forma de derrotar os terroristas é continuares a fazer o que fazes todos os dias. Não deixares de ir a um concerto porque tens medo. Não deixares de viajar porque tens medo. Não deixares de ser simpática para quem é diferente de ti porque tens medo. Podes sentir medo, claro. Mas a tua coragem deve superar esse medo. Numa guerra onde há quem queira destruir tudo o que amas, continuares a ser quem és e a fazer o que te apetece é a mais bela forma de resistência.

5.21.2017

Euforias de cá, depressões de lá


O nosso Presidente – sumo-sacerdote do optimismo que tanta falta nos fazia – veio anunciar outra previsão encantatória de crescimento para o final do ano: 3,2 por cento.

Para quem se habituou a queixar-se tanto, como os portugueses, das amarguras do destino – ou talvez por causa disso… –, foi mesmo uma bebedeira de proporções épicas. Tivemos quase em simultâneo e em directo nas televisões a reedição dos três F (Fátima, Futebol e Fado), ainda que o terceiro tenha sido argutamente substituído por uma enternecedora e «caetano-velosiana» balada que triunfou no Festival da Euro-visão. Já o Benfica ganhou o campeonato nacional e não a Liga dos Campeões (embora o parecesse, com tanta gente em êxtase, num efeito mimético da vitória da Selecção no Europeu de 2016). E o Papa Francisco veio santificar os dois pastorinhos no momento em que a nova mitologia de Fátima reduz as aparições a meras visões, tornando por isso ainda mais enigmático o seu mistério (e deixando a irmã Lúcia de fora) …
Mas como se tudo isto não bastasse para explicar a euforia, os indicadores registaram um crescimento económico inédito em tempos recentes, com o número mágico de 2,8 por cento. E, para compor o ramalhete, o nosso Presidente – sumo-sacerdote do optimismo que tanta falta nos fazia – veio anunciar outra previsão encantatória de crescimento para o final do ano: 3,2 por cento. Já o primeiro-ministro, apesar do seu «optimismo irritante» (segundo o Presidente), não se atreveu a comentar, porventura com receio de quebrar o encanto…
É bom demais para ser verdade? Pois é, mas seria preciso ainda acrescentar, além do boom do turismo, o enamoramento das vedetas do showbiz planetário por Portugal e em especial por Lisboa: a última a chegar e a pretender ser nossa conterrânea foi, nem mais nem menos, Madonna. Temos a de Fátima, ficamos agora com a sua versão mais maliciosa.

A propósito de euforia, poderemos partilhá-la com os franceses (e os pró-europeus de todas as latitudes) à procura de convalescer da depressão das últimas décadas, na sequência da vitória de Emmanuel Macron e da nomeação do seu Governo chefiado por Edouard Philippe, prometedor discípulo de Alain Juppé (apontado como favorito das presidenciais antes de ser derrotado nas primárias da direita).

Apesar das trapalhadas – aqui referidas há uma semana – na constituição das listas eleitorais, que ameaçavam comprometer a credibilidade de uma futura maioria presidencial, Macron conseguiu atingir, aparentemente, a fórmula que permitirá recompor a paisagem política francesa, para além das fronteiras da esquerda e da direita em ruínas – e hoje entrincheiradas nos extremos populistas de Mélenchon e Le Pen. A arquitectura engenhosa da equipa Macron-Philippe, com a inclusão do líder ecologista Nicolas Hulot entre sociais-democratas, centristas e gente não alinhada da sociedade civil, promete, pelo menos, criar um quadro político novo, influenciando o desbloqueamento da crise europeia.
Acontece, porém, que do outro lado do Atlântico os motivos de depressão precipitaram-se vertiginosamente. No Brasil, o Presidente Temer estava neste fim-de-semana à beira da destituição, arrastando com ele todo um sistema parlamentar e governativo gangrenado pela corrupção desde os tempos épicos de Lula – o que implicaria pouco menos do que uma revolução. Já quanto a Trump, tudo ultrapassa o inimaginável, mesmo para quem via o caos instalar-se a uma velocidade meteórica na Casa Branca.

As Américas vivem duas situações insustentáveis e nenhuma saída para elas se apresenta particularmente auspiciosa. Por uma vez, pelo menos, podemos cultivar a sorte de sermos europeus (e portugueses). É uma ilusão passageira, decerto, até porque não vivemos em mundos estanques e desconhecemos o que virá a seguir. Mas é, apesar da ironia, um convite para combater as tentações depressivas. 

5.15.2017

o miúdo tem piada!!!

Salvador sabe conversar e temos de facto um jovem que incorpora esperança e outro modo de estar e viver.

o trabalho é a coisa mais importante da vida - aconselho!

confesso que ia sem nenhuma expectativa especial... a casa da Paula Rego em Cascais não foi vista com olhos de ver (foi vista antes do filme...), mas apesar de tudo não são todos os filmes que merecem referência e conselho.

agora quero voltar à casa da Paula Rego em breve.


Cada um percebe só depois, apesar da experiência individual de transformação que todos (social) temos, porque biografia de Paula Rego é intimo, abre a porta de seu lar, num inglês que para os mais distraídos só se aprende vivendo em Inglaterra, uma Mudança!

 Preparem-se para mudarem, o filme actua sobre nós.

5.13.2017

vamos ao Penta!!!

Rui Vitória: quero humildemente agradecer ao amigo Jorge Jesus por ter participado nesta vitória!!!

5.11.2017

já percebi: sou sufista

Sufismo: assenta prioritariamente na busca  interior, é uma forma de pensar.

Lê-se numa tarde e solta aprendizagens: é daquelas leituras impagáveis, aconselho: o Sr Ibrahim e as flores do Alcorão.

Uma leitura deve melhorar-nos e ser um inicio de coisas novas. Pica miolos leu a tentar contrariar esta ideia: E a vida não precisa necessariamente de ser triste...', porque qualquer história para ser boa e a sério tem de ter algo de triste, de mau, de luta e...  Momo foi abandonado pela mãe primeiro; mais tarde foi abandonado pelo pai, que era depressivo torna a vida do filho impossível e sem esperança, que morre por suicídio.

É estranhissimo como com as mesmas palavras se podem ter sentimentos tão diferentes. Palavras como Pai podem dizer coisas contrárias na biologia e socialmente, por exemplo.

Dançar senhor  Ibrahim!? 
Sim, é preciso, absolutamente! 'O coração da mulher/homem é como um pássaro fechado na gaiola de um corpo'. Quando tu danças, o coração canta como um pássaro que quer voar. 

A viagem por auto estrada e pelo interior podem significar o mesmo objectivo final mas duas formas de o alcançar e várias conquistas; de avião e de bicicleta, nunca há duas viagens iguais, nem dias, nem vidas.

'E a vida não precisa necessariamente de ser triste...'

O Senhor Ibrahim e as flores do Corão chegou carregado de história:

 Desejo, 

Esperança, 

Vontade, 

História,

Alma,

Vida ganha e celebrada,

Olhar verdadeiro como o abraço apertado

'E a vida não precisa necessariamente de ser triste...', ao ler esta frase duas ideias surgem logo: 

mas para qualquer história ser História boa a sério tem de ter algo de triste, de mau, de luta; algo tem que existir;

é bem verdade, a vida é um privilégio e muitas vezes vive-mo-la como direito e aproveita-mo-la/ saboreamos pouco: cada passo dado e cada palavra.

Vou ler, quem aconselhou indica boas coisas!

5.08.2017

e se a UE ressurgisse!? da união se faz a força!

A saída da Inglaterra (que nunca esteve bem dentro; e que não estando dentro era como uma falsa aliada) com o Brexit e o aparecimento de um presidente francês independente, Macron, com ideias novas sugerem emergência de coisas boas.

Houve um número recorde de votos brancos e nulos em França.
Há uma descrença generalizada na política mas já canta o SG Gigante que A Democracia é o pior de todos os sistemas, Com excepção de todos os outros, somos todos políticos numa sociedade muito mais global  unida e menos individual e egoísta.
Os institutos que divulgaram hoje as primeiras projecções de resultados da segunda volta prevêem um número recorde de votos brancos e nulos.
O instituto Ipsos estima que 8,8% dos votos, correspondentes a 4,19 milhões, foram brancos ou nulos.
Segundo o mesmo estudo, a abstenção ter-se-á elevado a 25,3%, a mais alta numa segunda volta das presidenciais francesas desde 1969.
Segundo as primeiras projecções, Macron obteve 65,5 a 66,1% dos votos e a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen, 33,9% e 34,5%.

Macron esteve por dentro (conhecendo os meandros)  mas ressurge agora por fora independente (abdicando dos gestos errados) 


A Alemanha e a Merkel sugerem estabilidade na liderança.

Em todo o lado (e tem aparecido em muito sítio) onde a extrema direita apareceu foi derrotada.

Em Portugal, o primeiro ministro, António Costa e o ministro dos negócios estrangeiros, Augusto Santos Silva já provaram pensar bem.




'Um insuspeito esquerdista, o antigo ministro das Finanças grego Varoufakis, apesar das suas distâncias confessas em relação ao que considera ser o neoliberalismo de Macron, escreveu recentemente que seria no mínimo “escandaloso para qualquer progressista” colocá-lo no mesmo plano que Le Pen. E Varoufakis recordou ainda: “Quando a troika dos credores da Grécia e o Governo de Berlim estrangulavam as tentativas do nosso Governo de esquerda recentemente eleito para libertar a Grécia da asfixia da dívida, Macron foi o único ministro de Estado na Europa a fazer todo o seu possível para ajudar-nos. E fê-lo assumindo um risco político pessoal.” Uma confissão de leitura útil também em Portugal' (Vicente Jorge Silva no Público de 05-05 de 2017)
 
A UE::  Alemanha, Hungria, Áustria, Irlanda, Bélgica, Itália, Bulgária, Letónia, Chipre, Lituânia, Croácia, Luxemburgo, Dinamarca, Malta, Eslováquia, Holanda, Eslovénia, Polónia, Espanha, Portugal, Estónia, Finlândia, República Checa, França, Roménia, Grécia e Suécia































5.06.2017

cinema experienciado/vivido



 Fátima - João Canijo

O périplo de 11 actrizes que caminharam de Vinhais, Trás-os-Montes, até ao Santuário de Fátima.
400 quilómetros em 9 dias, já sabemos que um filme do Canijo implica alguma qualidade e este leva as pessoas a fazerem a peregrinação, a viverem toda a intensidade (tensão, atrito) de muito tempo em conjunto.

'Nesta peregrinação', diz Canijo, “tirando o ritual de rezar o terço e de alguns cânticos, fala-se muito pouco de religião”. E tricas, zangas, confrontos e rupturas, é o que há mais!

No filme é praticamente tudo improvisado, embora elas respeitem tudo o que tinha que se passar e quando em cada cena”, 

Primeiro era um filme sobre as relações humanas de um grupo de mulheres, obrigadas as estarem 24 horas sobre 24 horas, como uma prisão. Depois surgiu a ideia da peregrinação e aí surgiu-me uma ideia tão importante como a relação entre as mulheres, que é a relação da humanidade com a necessidade de fé. E em último sobre essas duas coisas. A ordem não sei bem qual é, porque elas confundem-se também e porque uma é paradoxal em relação à outra.”

'O próximo filme vai ser uma encenação do real em termos da veracidade das personagens. Isso vai ser levado mais longe do que neste. Elas são como são e elas são o que são. E depois há um desafio que, mais do que isso, é uma necessidade minha. Quero fazer um filme como fiz o ‘É o Amor’, praticamente sem equipa. E vai ser só com mulheres também.'


RITA BLANCO

 “Isso também teve tudo a ver com a minha primeira experiência. O meu pânico era, se eu perdesse forças, e começasse a ficar para trás, não iam esperar por mim. Tive essa experiência num dos primeiros dias. E ficou-me gravado na memória, como uma coisa muito dolorosa. Então, cada vez que alguma pessoa ficava para trás eu sabia o que essa pessoa estava a passar.” (Rita Blanco)

É uma excelente actriz, consegue fazer esquecer-nos, constantemente,  que está a actuar e a fazer de conta, tem alma, é uma aglutinadora das forças do grupo!