03 novembro 2016

"O jornalismo trocou a grandeza da oferta pela tirania da procura" ( Luís Miguel Queirós 01/11/2016)


O volume de informação cresce a um ritmo imparável, mas a sua diversidade e fiabilidade podem estar a diminuir, defende o especialista em ciências da comunicação Dominique Wolton, que lança o alerta: “A informação está a ser comida por uma ideologia técnica, e é preciso resgatá-la”.


 
Fundador do Instituto de Ciências da Comunicação do CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique) e director da revista internacional Hermès e da respectiva colecção de livros de bolso, Les Essentiels d’Hermès, Dominique Wolton é autor de dezenas de obras sobre os media, o espaço público, a globalização, ou as relações entre ciência, técnica e sociedade. A mais recente, Communiquer c’est vivre, acaba de sair em França. Colaborador próximo do filósofo e politólogo Raymond Aron, Wolton vem construindo há décadas uma original teoria da comunicação, que procura opor uma abordagem democrática e humanista à hegemonia do discurso técnico e económico. Convidado do Fórum do Futuro – um “festival de pensamento”, organizado pelo pelouro da Cultura da Câmara do Porto que abre esta terça-feira com o cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura –, o investigador estará esta quinta-feira no Teatro Rivoli (19h), para falar do “desafio de paz e guerra no século XXI”, e dará no dia seguinte uma palestra em Lisboa, no auditório do Instituto Superior de Economia e Gestão, sobre o “impacto das redes sociais na comunicação”. Diz que é preciso travar o fascínio acrítico pelas tecnologias da informação e defende que a Internet precisa de regras, pois “actualmente é um faroeste que só serve a tirania económica e financeira”.  


Diz que “a velocidade da Internet e das redes sociais está a devorar a liberdade de informação” e que o jornalismo não deveria mergulhar nessa voragem. Quer argumentar?

A Internet é óptima para nos exprimirmos, mas expressão não é informação, é algo muito mais fácil. Separar os dois é função do jornalista. Ele deve olhar para a Internet como um novo meio de expressão e ter consciência de que, enquanto canal de informação, exige um trabalho de verificação. A última coisa de que os jornalistas se podem esquecer é que a informação é algo de valioso e difícil, que deve ser feito por profissionais.


Defende que a revolução tecnológica aumentou o volume de informação, mas não a tornou mais diversa, nem reduziu os rumores, que encharcam a Internet e são frequentemente replicados nas televisões e jornais. É uma fatalidade, imposta pelo contexto técnico, ou haveria outro caminho?
Não é uma fatalidade. Na verdade, é até uma grande surpresa. Pertenço a uma tradição democrática favorável ao aumento da informação, e todos nós, investigadores, jornalistas, políticos, achávamos que mais informação era mais verdade: toda a luta pela liberdade de informação, desde o século XVII, foi concebida a partir dessa premissa. Mas ninguém antecipou que o aumento da velocidade e a pressão da concorrência implicavam riscos, e que a informação em directo, que julgávamos mais próxima da verdade, podia afinal errar muito, porque não há tempo para verificar. Também não se pensou que quanto mais informação existisse, tanto mais rumores teríamos, porque os homens são complicados e há muita gente que se está nas tintas para a informação verificada e prefere os rumores e as teorias da conspiração. Outra surpresa foi a constatação de que todos os canais de informação falam das mesmas coisas ao mesmo tempo e que a crescente concorrência entre eles não tem servido para alargar o campo da informação. Dou um exemplo: a construção política da Europa, esta realidade de 6, 8, 15, 28 países que se entenderam, quando na verdade se detestam, é talvez a maior utopia da história da humanidade, mas com toda a informação que hoje circula na Internet parece que já não há curiosidade por este grande projecto político.

E por que é que isso acontece?
Acontece porque a procura se tornou o critério. E quando nas redacções não se trata este ou aquele assunto porque não interessa às pessoas, está-se a trocar a responsabilidade da oferta, que é a grandeza do jornalismo, pela tirania da procura. Mas o mais grave é não existir um discurso crítico sobre isto. Estas são questões verdadeiras, que colocam problemas graves ao nível da deontologia, e até da democracia, mas só por as levantarmos somos vistos como reaccionários. Uma coisa que me deixa tristíssimo é ver os jornalistas a passarem horas na Internet, a darem a volta ao computador em vez de darem a volta ao mundo, quando fariam muito melhor em sair e investigar. É verdade que sair do jornal três ou quatro dias para investigar é caro, fazer bom jornalismo é caro, e essa é uma questão política que teremos de enfrentar, porque a informação está a ser comida por uma ideologia técnica, e é preciso resgatá-la.

Apesar das dificuldades que os jornais de referência ocidentais enfrentam para assegurar a sua viabilidade financeira, não parece partilhar o pessimismo mais ou menos consensual que não vê futuro para a imprensa generalista em papel e desespera de ver surgir, no jornalismo on-line, uma solução estável e replicável. O que é que o leva a manter o optimismo?
Não sou pessimista porque a história mostra que há altos e baixos, e acho que o jornalismo tomará consciência de que a abundância de informação não é por si só um progresso, e que o terreno que essa informação cobre é hoje mais estreito do que nos anos 80. Os media deixaram de se interessar por uma série de assuntos importantes, e cada vez dão menos espaço aos pontos de vista especializados – dos militares, religiosos, empresários, cientistas –, em favor dessa “peopleização” mundial a que estamos a assistir [neologismo criado a partir do inglês “people”, que significa “povo” ou “pessoas”, e que os media costumam usar para designar as suas secções de “celebridades”]. Há uma fascinação pelas tecnologias de informação que é preciso travar: não é a tecnologia que faz a informação, são os homens. Eu acho que o jornalismo acabará por reagir e saberá tirar desta revolução técnica o que ela tem de bom.

Uma das lutas da sua geração foi garantir a existência de uma fronteira nítida entre o domínio público e a esfera privada. Não receia que esta nova geração, que cresceu com as redes sociais, venha a ter uma consciência um pouco mais frágil dos riscos de se permitir que essa fronteira se esfarele?
Lutámos durante séculos até termos, enfim, o direito a uma existência privada, e agora, com as tecnologias de informação e com o fenómeno da "peopleização", passamos a vida a publicitar a vida privada. É um contra-senso. E se esta geração não percebe que é preciso preservar essa separação, isso é grave, porque essa fronteira foi um verdadeiro campo de batalha, e conseguir impô-la representou uma grande vitória política. Não é por hoje ser possível contar seja o que for nas redes sociais, e haver quem o leia, que devemos fazê-lo. Diante do computador temos uma sensação de liberdade, mas dever-nos-ia preocupar a contradição entre esse sentimento de liberdade e o facto de a Internet ser dominada pelo poder económico, financeiro e técnico do Google, da Apple, do Facebook, da Amazon.

No mundo das redes sociais vive-se uma espécie de igualitarismo, em que não há fronteiras nem hierarquias e todas as vozes têm o mesmo peso. Quando uma parte importante do debate público emigrou para esta arena digital, e a sua lógica contamina cada vez mais os media, está aberto o caminho ao populismo?
Sim, há o risco do populismo. Nas redes sociais toda a gente se exprime em condições de igualdade, o que é aparentemente democrático, mas, na verdade, ao abolir-se toda a hierarquia cultural ou intelectual, o que existe é uma tirania da expressão. O que há a fazer? É preciso que jornalistas, professores, empresários, políticos, tenham a coragem de dizer que este espaço de expressão é um progresso, mas que não substitui as competências do político, do militar, do cientista, do jornalista. O que eles têm a dizer sobre a sociedade não pode ser posto no mesmo plano do que eu digo sobre mim próprio num qualquer canto do planeta.

Não é impossível que o aproveitamento da Internet pelo terrorismo e pelo crime organizado, entre outras ameaças, leve as democracias a ponderar colocar restrições à sua utilização, como já acontece, por outros motivos, em várias ditaduras. Parece-lhe defensável?
Este novo espaço de expressão e informação que é a Internet precisa de uma política, no mesmo sentido em que há uma política para as telecomunicações, os satélites, a imprensa ou a televisão, com coisas que são permitidas e outras que não o são. Neste momento, a Internet não tem regras nem limites. É claro que se deve salvaguardar essa dimensão de liberdade e de emancipação, mas com a condição de se criar uma política. A grande batalha futura em relação à Internet não é obviamente acabar com ela, mas estabelecer regras e leis. Actualmente é um faroeste que só serve a tirania económica e financeira. Há uma mentira sempre repetida: a que diz que se aplicarmos uma lei à Internet é o fim da liberdade. Na verdade, é o inverso: é a lei que permite a liberdade, que protege o fraco, sem ela temos a lei do mais forte, e o mais forte é hoje o poder financeiro. Falamos da Internet como símbolo de liberdade, quando ela está ligada aos grandes poderes imperiais do século XXI: Google, Apple, Facebook, Amazon. É uma contradição que se pode resolver, desde que se aceite que o progresso técnico é óptimo, mas que agora é preciso introduzir regras sociais, políticas, culturais.

Tem insistido na distinção entre informação, que designa a mensagem, e comunicação, que implica uma relação e uma negociação. Pensa que a revolução global da informação teve tradução no plano da comunicação, que os povos e culturas do mundo se compreendem e toleram hoje mais do que no passado recente?
Uma das grandes fraquezas da humanidade é que adoramos matar-nos, detestar-nos e não nos compreendermos uns aos outros. Seria de esperar que todas essas redes de informação tivessem aumentado a tolerância, mas não é verdade: o racismo e o ódio ao outro estão de boa saúde. Basta olhar para a Europa e para o que se passa com os refugiados no Mediterrâneo. Temos uma aldeia global, mas que é apenas técnica, e essa tecnologia, ao tornar mais visíveis as diferenças culturais, não só não está a promover a tolerância, como se arrisca a provocar mais intolerância. É um paradoxo incrível, mas verdadeiro.

02 novembro 2016

laranja acinzentado




subindo a estrada no sentido contrário ao mar encontrava os tons habituais que falavam de vidas passadas e outros novos que apetece experimentar.

é bom mostrar como quem visita pela primeira vez, descobre-se cantos e descobre-se gostos habituais e rotinados; reaprende-se a gostar do nosso espaço

há muito verde.

há muita vida.

muita natureza.

muitas casas apalaçadas de um tempo em que se fugia do calor citadino para o fresco da serra e do mar.

muita gente por ali passeia/visita.

os nossos olhares fazem AAAAHH espantados, gritam arquitecturas bem inscritas não de hoje antigas.

voltámos pelas curvas serrestres.

30 outubro 2016

serenidade de a equação não fazer sentido...

Carta aos futuros pais (e a quem não quer ter filhos)

Coloquem o "cinto" e preparem-se para algo completamente diferente. Vão sofrer e divertir-se como nunca.

— Que barriga grande! Está grávida de quanto tempo?
 
— 34 semanas. Está quase a nascer (meses mais tarde)

— Ai, que bebé lindo! Que idade tem?

— Treze meses (semanas depois)

— Então, como está o menino?
 
— Vai andando. Tem muitas cólicas e faz uns cocós verdes. Mas já gatinha e diz tuato [gato].

Por que raio é que as grávidas (e os “pais-grávidos”) falam em semanas? E por que razão é que contam a idade dos bebés em meses? E que mau gosto falar das cores de cocós, mesmo que seja em conversas com amigos ou baixinho na esplanada. E que mania é esta de estarem sempre a falar dos filhos, a dizer que já anda ou a contar pela 35.ª vez a frase gira que o pequenote disse?

Eu — pecador me confesso — fazia estas perguntas antes de ser pai, olhando para aqueles “extraterrestres”  que contam a gravidez em semanas ou dizem a idade dos filhos em meses. Mas depois entrei nesse mundo magnífico e assustador e comecei a ver a minha vida guiada por ecografias às 12 e 24 semanas de gravidez, consultas médicas de mês a mês e vacinas aos seis, nove, 12, 15, 18 meses. Afinal não são loucos; têm é um calendário diferente dos outros.

Não ter filhos é, obviamente, uma opção tão legítima como ter — e espero ansiosamente pela altura em que a sociedade consiga abolir aquela pergunta muitas vezes feita com espanto “Mas por que não queres ter filhos?”  “Porque não quero”, dirão muitos (e com todo o direito). Eu preferi ter e agora aqui estou só para vos dizer algumas coisas que gostava que me tivessem dito antes de ser pai. Não que isso mudasse a minha decisão, mas teria ajudado a que o choque fosse um pouco mais suave.

É claro que cada um tem as suas circunstâncias (a rede familiar, por exemplo, pode fazer muita diferença), a sua personalidade e há bebés mais difíceis do que outros. A Susana Almeida Ribeiro escreveu há tempos no P3 uma hilariante crónica sobre a diferença entre as pessoas com filhos e sem filhos. Escrevia ela que “as pessoas sem filhos acordam com o despertador” e “as pessoas com filhos gostariam de acordar com o despertador”. É apenas uma das muitas boas frases escritas nessa crónica que também deu para perceber —  nas caixas dos comentários — como a maternidade/paternidade pode afectar o sentido de humor de algumas pessoas, nomeadamente a incapacidade para a ironia.

Não é mentira nenhuma dizer-vos que vão perder o controlo de uma parte da vossa vida. Durante uma certa fase da vossa vida, sair à noite é ir pôr o lixo à rua. Ou ir à farmácia implorar ao farmacêutico por uma receita milagrosa para acabar com as cólicas que nos estão a deixar perto da loucura.

Vão discutir menos vezes política e futebol e mais se é melhor usar chupeta ou chuchar no dedo. Vão descobrir que a Linha de Saúde 24 é a melhor amiga que se pode ter às quatro da manhã. E estarão prontos a escrever uma tese sobre a eficácia da tortura de sono ou sobre os limites da paciência humana para lidar com choros ou pratos de comida voadores.

Quer isto dizer que ter filhos é horrível? Sou capaz de ter respondido que sim em algumas noites (era o sono), mas a verdade é que não. Não é horrível. É fantástico e assustador ao mesmo tempo.  A dose de sofrimento é largamente compensada por momentos tão lamechas quanto verdadeiros. Há pequenos gestos que nos dão mais energia do que muitas noites de sono: aquele sorrisinho maroto, as pequenas conquistas deles (os primeiros passos, as palavras, o salto aventureiro no escorrega), o abraço apertado quando regressam para os nossos braços depois da escola ou até aquela resposta espontânea que nos deixa entre o ralhete e a gargalhada.

No dia em que fui pai, a minha vida mudou radicalmente. Deu uma volta de 180º, e outra de 360.º e mais outra de 360.º e sei lá o que mais. Atarantado, fui parar a um lugar diferente. O lugar de que tem a missão mais importante da vida: criar aquele bebé, educá-lo, fazê-lo feliz. E nem dois minutos depois de ele nascer percebi finalmente por que razão as mães nunca aceitam a resposta dos filhos: “mãe, não te preocupes”. É impossível. Nem mesmo para o meu coração de optimista, que fica mais apertadinho com aquelas noites na incubadora, a febre que não baixa ou a bronquiolite que não passa.
Por isso, para os que não querem ter filhos, só vos digo: “Nem imaginam do que se livram, nem sabem o que perdem”. E aos que querem ter também vos digo: “Apertem os cintos. Vão sofrer e irritar-se como nunca, mas vão rir e amar como nunca pensaram ser possível”. E, acima de tudo, aproveitem, porque eles crescem a uma velocidade supersónica...

26 outubro 2016

ah Mulher!!!

É difícil no meio do chavascal/ruído que a Trumpa fez/criou à sua volta darmos atenção e ouvirmos o que interessa, o mundo na América está a dar um passo importante: uma Mulher (género maioritário em quantidade/qualidade em cada família) após um negro afirma a Humanidade

A nova vida do progressismo americano


Saint Paul, Minnesota, EUA. — A diferença que um mês faz. No fim de setembro, antes do primeiro debate presidencial americano, todas as tendências pareciam favorecer Donald Trump. Os americanos, sobretudo os progressistas, começavam a habituar-se à ideia de ver Presidente Trump na Casa Branca. Tinham de engolir em seco e esfregar os olhos para terem a certeza do que estavam a ver mas, se fossem justos, a projeção de força do candidato republicano, aliada ao entusiasmo que ele gerava entre os conservadores e ao estilo convencional de Clinton, era matéria mais do que suficiente para concluir: este não são os nossos tempos. A mesma vaga reacionária que já varreu vários países vai chegar aqui.
Hoje a situação é muito diferente. Claro que a gravação mostrando um Trump agressor sexual teve o seu impacto e nos deixará para sempre com a questão: o que sucederia se nas eleições tivéssemos um Trump que fosse como este um pulha em tudo o que era público mas que não calhasse também ser um pulha em privado? Estaríamos a caminhar agora para um mundo insustentavelmente perigoso, em vez de só perigoso. Os americanos tiveram sorte, e nós com eles.
Ao mesmo tempo, sinto que as incidências mais debochadas da campanha não fazem jus ao extraordinário desempenho de Hillary Clinton. Ele ganhou três debates sendo aquilo que é: preparada, esforçada, estudiosa, dedicada. Estas são qualidades independentes da variável "ideologia" — Clinton continua a ser centrista, neoliberal e moderada, e está no seu direito. Ainda que eu não a acompanhe até essas paragens, não posso deixar de confessar que me impressionou o que já sabíamos dela, o domínio das políticas e o gosto de jogar pelo seguro, mas também o que é menos valorizado, que é por essa capacidade política ao serviço de qualidade empáticas. Isso tem impressionado também os seus potenciais eleitores, que pela primeira vez não sentem só repulsa pelo adversário mas entusiasmo por ela. A vitória de Clinton não será só a derrota de Trump.
Como é evidente, a vitória também não será só de Clinton porque, ao contrário do one-man show republicano, o esforço democrata tem sido um jogo de equipa, que passa por Barack e Michelle Obama, Bill Clinton e Joe Biden, e cada vez mais pelos senadores progressistas Bernie Sanders e Elizabeth Warren.
E agora chegou de novo a altura em que a esquerda americana esfrega os olhos e se belisca — mas porque não consegue acreditar na sua sorte. Os republicanos deram-lhes o que em termos de ciência política se chama "uma abébia" — e desta vez não veio sob a forma de Trump. Paul Ryan, o suposto representante do conservadorismo responsável no Congresso, quis alertar para o perigo dos democratas ganharem o senado perguntando à sua plateia: "se eles ganharem sabem que vai controlar o orçamento no Senado? Um tipo chamado Bernie Sanders". O tiro saiu pela culatra, com fragor.
Nada poderia galvanizar mais os jovens à esquerda do Partido Democrático, para quem agora é ponto de honra que nos próximos quatro anos um "socialista democrático" como Sanders tenha uma palavra decisiva sobre o orçamento dos EUA. Podem não ter conseguido levá-lo à Casa Branca, mas no sistema dos EUA isto não fica muito atrás.
E como o Senado também confirma a nomeação de juizes para o Supremo, há um velho sonho que pode vir a tornar-se realidade: a abolição da pena de morte.
Não, o progressismo ainda não mandou a toalha ao chão. Por aqui até parece ter uma nova vida.

25 outubro 2016

VIVA o dia!!!

uma vez que o mar é sempre belo no verão, outono, primavera ou verão, mais escuro ou claro, 

com chuva ou sol... e uma vez que há sempre desafios a vencer e falhas a melhorar: 

V I V A    O    D I A!!!

20 outubro 2016

acabar ou não acabar, eis a questão!?

A verdade é que me divirto imenso a escrever e é libertador, por outro lado, cada vez que escrevo aqui não estou a ter grande utilidade: definam-me isto, sim!!! o que é ser útil? a maior parte das coisas que fazemos é inútil ou tudo o que fazemos  é Vida e, como tal. útil!!!?

Embora não fale ainda bem, vou falando cada vez melhor: quanto mais falar melhor vou falar e preciso treinar  a voz maviosa para falar melhor. 

Ser fala barato mas escrever; não impede de falar e se tenho um talento que não quero desperdiçar: imaginação e escrita complementares numa pessoa cada vez menos orgulhosa.. portanto gramem-me e distraiam-se.

NÃO ACABAR!, parece-me a resposta, leiam-me e gostem ou não gostem, não leiam... claro que adorava que me lessem e gostassem, a escrita deve melhorar a mim e aos outros.


A imagem de ontem:
  
Ludwig van Beethoven (Bonn, 1770 — Viena, 1827: 57 anos) construiu obras no séc. XIII/XIX para um mar de gente/instrumentos que hoje outra gente enrola na areia esse mar.

O concerto acalmou-me: sinfonias N.º 8 e N.º 9 com coros, tanto som diferente, cada um a tocar individualmente com seus tons e pausas mas se encaixando no aparelho; como a sociedade de que fazemos parte a uma outra escala os músicos só existem ali porque há uma conversa entre instrumentos

Como quando sais da água sais mais leve, ali também viajei e entrei noutra dimensão.



a imagem da humildade Vitoriosa frente à arrogância derrotada:


É uma discussão que vem sido debatida pelos melhores intelectuais da bola aqui do burgo, considerando-me conhecedor da matéria deixo aqui o meu bitaite: Jesus ou Vitória qual o melhor?

Sendo a arte do treinador criar um bom ambiente capaz de conduzir os seus jogadores a um clima de bem estar que proporciona vitórias e campeonatos que envolve adeptos digamos que a petulância do Jesus não o torna melhor e até o torna pior que o carisma e a  humildade do Vitória.

É uma imagem criada pela capacidade de estar no centro das luzes sem ser ofuscado; percebendo bem que a equipa é a união de todos com vista a atingir um objectivo comum.

Demonstra-se bem a inteligência de alguém por perceber que tem um projecto que não é estanque, fechado  no terreno de jogo ao apostar como ninguém o tem conseguido/feito na formação. Como o mundo passa dos mais velhos aos mais novos.



a imagem do amanhã criado hoje:

 ah educaaar!!!

Assunto: Tempos modernos

http://sicnoticias.sapo.pt/programas/reportagemespecial/2016-10-16-As-pessoas-crescidas-nunca-percebem-nada-1.blogspot.com

07 outubro 2016

da intimidade

a intimidade é o que nos protege dos Outros (não que tenhamos que ter medo deles mas somos melhores sem expor as nossas muitas fragilidades...), o nosso mundo tem que ser valorizado e ganho sem facilidades.

É importante esse refúgio não ser/estar exposto!

Todos gostamos de Surpresas, se não estamos em luta com o mundo também não somos oferecidos, é bom ser difícil de ter/ganhar... 

Para conquistares meu intimo não basta circulares nos mesmos espaços.

05 outubro 2016

imagem III: Era uma vez uma política

Era uma vez uma política

Acreditava que para ser bom a sê-lo era importante a vida cheia que fizera (já era cinquentona...), acreditava que para se ser boa servidora da POLIS tinha que se ter passado por várias etapas, integrado vários grupos, andado de transportes públicos, frequentar escolas públicas, festivais, universidades, manifestações, trabalhar para a comunidade: era preciso ter vivido antes para se sentir a sociedade e o que era ser-se povo!

Queria criar um Espírito de comunidade voluntária, de ajuda um ao outro numa sociedade de gente diferente mas que nasce e morre, vive uns com os outros, sente, chora, ri, tem saudades, olha, ouve, tacteia, saboreia e vive

Acreditava muito no Ser-se Pessoa de uma forma ingénua, algo naif!

Era homossexual e acreditava no poder do feminismo enquanto forma moderna de fazer política, era um grande desafio ser mulher e homossexual num mundo machista e homofóbico!!! 

Era séria e empenhada, queria construir uma sociedade mais justa para todas as pessoas: brancos, negros, morenos; protestantes, muçulmanos, católicos, ateus; homossexuais e heterossexuais.
Se fosse fácil não tinha piada!

Confiava numa sociedade construída por todos e para todos, de participação e de exemplo, de actividade diária!

Acreditava no Optimismo como forma de construção de um mundo melhor: 'É melhor ser alegre que ser triste, Alegria é a melhor coisa que existe, É assim como a luz no coração (...)' E todos tinham que participar na construção de um mundo melhor!

03 outubro 2016

imagem nunca criada II

Pés Nus (pé ante pé devagar...)

Hoje comecei a andar dentro de água de pés nus, assentar o pé todo, sentindo o peso de todo o movimento, é como quem despe devagar a pele (que não sei como  é mas deve doer mais...)

Na água tudo é diferente, o corpo torna-se mais leve, a energia é boa, sai-se sempre bem disposto dali.

Já não sei  se sei nadar, pelo menos o braço esquerdo ajuda menos no transporte... e a respiração também funciona pior.

E o Nicolau, amor assolapado da amiga  aquática (uma virtude alegre e bem disposta), anda sempre por lá em guerra connosco, e as memórias que tenho dele a passar na memória...

Deixei as sapatilhas de plástico aderentes e apertadas à entrada, pus de novo à saída; depois fiz a passagem entre espaços pés nus, foi bom ;)

A sensação é de liberdade, sente-se uma energia boa que se transmite por quem trabalha na Água, que privilégio é poder trabalhar na água. 

Na água anda-se com o equilíbrio que terei no futuro cá for, o tempo altera-se!

02 outubro 2016

Uma imagem nunca criada

foi um exercício engraçado/interessante que o professor pediu hoje no filme e que estimulou a minha vontade de querer pintar e ver se consigo imaginar algo ausente, criar uma imagem nunca criada:


A Sala de Português podia ser histórica, cientifica, filosófica, social, um piquenique, lúdica, ginasta, gastronómica, musical, natural, geográfica mas tinha sempre uma energia boa e mudava nosso estar.

Podia ser picante, doce, amarga, doce, vegetal, carnívora, energética mas tinha um sabor sempre bom, e estimulava a descoberta de nós e dos outros, era um gosto prazenteiro ter aqueles momentos!

Era uma professora fantástica que propunha sempre que nos reinventássemos, dizia ela que a vida tinha  de ser despertada. Se vivêssemos sempre deitados no sofá a ver TV não mudávamos a  cabeça e suas imagens, era aborrecido, por muito que o cinema seja uma boa e barata forma de viajar, de ir a outros sítios; fazia falta mudar de ares.  

Propunha-nos ela que respondêssemos a 'o que é que aprendeste hoje?' e, por certo, havia sempre algo descoberto. E depois conversássemos sobre isso e dava-nos tempo para olhos nos olhos cativarmos algum parceiro. Dizia que se um grupo fosse muito grande podia ser mais estimulante mas perdia-se o interesse e a intimidade.

À priori dava tempo para cada um pensar em gestos, propostas, ideias de como melhorar o nosso pequeno mundo. Estimulava a troca entre nós pela descoberta dos sentidos, afectos e diferentes formas de SER, convidava uma vez por outra peritos nas mais variadas áreas para conversar connosco e responder a perguntas que preparávamos em grupo.

Dizia que 'não havia coitadinhos!' e 'não fui posta neste mundo para ser infeliz...'! falava para tentarmos pensar nos Outros e tentarmos não usarmos a primeira pessoa, o Eu quando tínhamos vidas complicadas facilitava perceber como os melhores (havia imensos ali na zona) viviam e embalava.

Era muito imaginativa e inventiva e tinha um talento especial para fazer surgir valores nos Outros: entrar no mundo dela foi muito estimulante para mim; ensinou-me a perceber a sociedade e que podemos mudá-la e melhorá-la ou sonhá-la.

Naquele ano senti a turma mudar e ganhar valor, crescemos como grupo e fizemos amigos, tenho saudares daquelas aulas, daquele tempo juntos e daquela professora, 'não gosto de facilidades mas ali a facilidade de estar uns com os outros deixou-me saudades!'

27 setembro 2016

Como vai ser o meu dia de hoje?

Nos últimos 20 anos mais de 200 mil portugueses foram surpreendidos no seu dia-a-dia com um traumatismo craniano grave. Assistimos a tragédias, ou a algum acontecimento inesperado a alguém que nos é próximo. Mas não nos toca. A vida é de facto como é, sabemos que amanhã poderá ser diferente, mas hoje não.

No seu hoje em que tudo estava previsto, bem encaixado e encadeado, surge um inesperado acidente. Atropelamento, acidente rodoviário, um objecto de obras que nos cai na cabeça, uma queda – algo que nos faz um traumatismo craniano grave.

E é assim, de repente estamos inconscientes no hospital e nossos pais, irmãos, esposa largaram tudo o que estava previsto para esse dia e foram ter connosco ao hospital.

Este é o início da história das muitas pessoas que a Novamente acompanha.

Pensamos que esta é a fase pior e no entanto… há um grande percurso pela frente.

Ao fim de 3 a 5 anos, que pesam como 30, perdemos os amigos que nos primeiros dias prometeram nunca nos deixar. A família só sabe de nós em momentos chave. No hospital experimentamos vitórias, retrocessos, alegrias, frustrações incríveis. Profissionais que nos tiraram a esperança, ou que repudiaram o mais possível a nossa presença no internamento e profissionais cujas palavras humanas não esquecemos.

O traumatismo afecta o cérebro de forma diferente em cada caso, deixando sequelas que nos modificam. São pouco cobertos por apoios estatais e só 30% chegam ao centro de reabilitação. A vida, depois de ter sido doente hospitalar, passa a ser vida de quem quer reabilitar-se.

Além de ter criado o serviço de apoio contínuo, entrega diferente fase a fase do caminho e do caso de apoio de informação, apoio emocional, encaminhamento para soluções, etc., a Novamente também criou formação de cuidadores para que se capacitem dum papel que nunca imaginaram vir a desempenhar, muito menos na idade madura, com filhos de 30 anos, que inesperadamente deixaram de ser independentes e passaram a deficientes, sem emprego, divorciados, com comportamentos inter-relacionais difíceis, etc.. Aqueles que estavam casados há 5 anos ou menos não aguentam o casamento.

Agora nasce um programa de inserção profissional com o IEFP, que tenciona aumentar a taxa de 30% destes adultos voltarem a trabalhar.

Em vários pontos do país a Novamente criou o o grupo de pares com o objectivo de proporcionar a pessoas que sofreram traumatismo crânio encefálico o desenvolvimento das suas autonomias pessoais através de actividades ocupacionais, terapêuticas e socioculturais de modo a melhorar a sua integração na comunidade e no seio familiar.

Aqui, acima de tudo reaprendem a amar-se, conhecer-se, aceitar-se e a usar técnicas de melhor relacionamento com o mundo. Estamos, juntos, pessoas sem comunicação oral, sem marcha e desorientação neurológica, como pessoas que estão sem nenhuma sequela visível, empregadas, casadas e que aparentemente não saíram do mundo anterior ao seu traumatismo crânio encefálico.

Este é o mundo onde o amor dos pais prova ser incondicional, seja em que circunstancias e idade. Mundo onde quem ultrapassou barreiras impensáveis aprende a valorizar o ser humano por algo que nunca é comunicado ou valorizado nos media ou filmes. É um mundo ou nem interessa se somos diferentes – só interessa se nos amamos e respeitamos, se temos em quem nos apoiar para avançar pela vida com coragem.

Voltamos a pensar que o dia está previsto, mas nunca mais esqueceremos que há coisas que não acontecem só aos outros.

Vera Bonvalot, Presidente da Associação Novamente

14 setembro 2016

Paralímpicos paratotós (David Rodrigues)

Recentemente, um jornalista português referiu-se aos Jogos Paralímpicos com um espectáculo “grotesco” e “um número de circo”.

Estão ainda a realizar-se no Rio de Janeiro os Jogos Paralímpicos (JP). Trata-se de um evento que mobiliza muitos milhares de pessoas e que tem um impacto mediático incomparável com qualquer outra notícia que tenhamos acesso sobre as pessoas com condições de deficiência.  Trata-se, sem dúvida, de um evento que desafia ideias feitas sobre a competição e a seleção “dos melhores”. Os JP atraem polémicas sobre múltiplos aspetos da atividade humana.  Dou um exemplo: na cerimónia de abertura uma das portadoras da tocha olímpica que, com a ajuda de uma bengala, a conduzia com dificuldade, caiu durante o percurso. Perante o aplauso do estádio, levantou-se e levou a tocha até à pessoa seguinte. E pode-se perguntar: mas os aplausos não eram destinados aos que vão mais longe, aos que são mais fortes e aos que chegam mais alto (usando a trilogia dos Jogos Olímpicos da era moderna)?

Já tínhamos tido um indício da promoção de outros que não os “vencedores” na abertura dos Jogos Olímpicos quando a chama olímpica foi ateada por Vanderlei Lima, que tinha sido “só” medalha de bronze na maratona dos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004. Relembrando, Vanderlei foi agarrado por um energúmeno quando ia em primeiro lugar na maratona e mesmo assim ficou em terceiro lugar. O que este realce mostra é que os Jogos são muito mais do que a celebração dos triunfadores, mas, como dizia Coubertin, o seu grande valor é a participação e a superação de cada um.
Quando pessoas com deficiência praticam este exercício de superação das suas capacidades pessoais suscitam múltiplos olhares e nem todos muito adequados. Cito dois deles: um que endeusa os atletas paralímpicos, dizendo que eles são os super-heróis, que são sobre-humanos. Quem diz isto, imaginaria que as pessoas com deficiência teriam igualmente uma deficiência na sua motivação, na sua determinação, no seu querer. Ao verem esta vontade férrea, imaginam que as pessoas com deficiência são mais que humanos. Na verdade – pensam elas – que humano teria esta tenacidade mesmo face a uma condição de deficiência? Esta atitude curiosamente retira aos desportistas com deficiência a posse das qualidades que lhe são comuns com qualquer outro desportista e por isso é, de certa forma, uma atitude que semeia a exclusão.

Outra é a atitude de grande desconforto, de perplexidade, por presenciar o desempenho de atletas com deficiência. Recentemente, um jornalista português referiu-se aos JP com um espetáculo “grotesco” e “um número de circo”. Não custa imaginar o desconforto destas pessoas ao ver um cego jogar futebol, ao ver um atleta com paralisia cerebral a jogar Boccia, ao ver um amputado de membro inferior a saltar em altura. Imagino o desconforto, mas não posso igualmente de deixar de imaginar a enorme ignorância e desumanidade que estas declarações demonstram.

Para as pessoas que acham que o lugar das pessoas com deficiência não são os espaços desportivos, para quem pensa que desporto não é para elas, deixo quatro pontos de reflexão.

 Antes de mais as pessoas com deficiência têm direito, como quaisquer outras, a praticar desporto. Não aceitar isto seria uma grave violação dos seus direitos. Se não existisse este movimento paralímpico as pessoas com deficiência ficariam privadas da prática desportiva, ou pelo menos amputadas de uma das suas vertentes que é o desporto de alta competição. Será que alguém assume esta responsabilidade de amputar direitos a quem já tem tantos direitos amputados?

As pessoas com deficiência não se colocaram à margem do desporto: foi o desporto que as excluiu. Daí que o movimento do desporto paralímpico não seja um movimento de exclusão, mas sim de inclusão – isto é, de procurar recuperar uma prática que, se a nossa sociedade fosse menos segregadora, seria feita em estruturas e na companhia de atletas sem deficiência.

Os JP são uma fantástica contribuição para entender até onde os humanos (mesmo tendo uma condição de deficiência) podem chegar. Quantos estudantes universitários de desporto saltam, por exemplo, como um amputado de membro inferior, a marca de 1,89 metros? Os Jogos são uma fantástica demonstração das possibilidades quase ilimitadas que o ser humano pode desenvolver através da experiência e do treino.

Finalmente os Jogos Paralímpicos são uma cabal demonstração que o terno “de-ficiente” (“não eficiente”) é extraordinariamente injusto para designar quem de forma tão espetacular escancara os limites do desempenho humano. Os Jogos Paralímpicos mostram que, tal como o desporto, as pessoas com deficiência são úteis e são imprescindíveis para entendermos o que é “ser humano”.

Os jogos não são circo a não ser que consideremos circo todas as atividades humanas. Por exemplo: a vida de jornalista é um circo?

Os jogos não são grotescos. Grotesca – ainda que menos visível – é a segregação que estas pessoas sofreram e sofrem tendo sido injustamente condenadas a “vidas separadas”. Grotesca é a exclusão, grotesca é a invisibilidade a que milhões de pessoas estão condenadas a ser vistas como deficientes mesmo sendo “eficientes” e muitas vezes mais eficientes dos que aqueles que se permitem chamar grotescas às suas ações.


Presidente da Pró-Inclusão – Associação Nacional de Docentes de Educação Especial, embaixador paralímpico em Pequim 2008

09 setembro 2016

a cerimónia de abertura dos jogos paralimpícos deu gosto mas esta gentinha mete nojo

Joaquim Vieira
Sou só eu a achar que os Jogos Paralímpicos são um espectáculo grotesco, um número de circo para gáudio dos que não possuem deficiência, apenas para preencher a agenda do politicamente correto?
 
Esta pessoa tem esta opinião. Uma das informações registada no seu Facebook é de que ocupa o cargo de... presidente do Observatório da Imprensa. Já trabalhou na RTP e no jornal Expresso. Ah! E tem 4992 amigos nesta rede social. Não estou a inventar nada.

Todos temos a nossa opinião mas quando ela implica com a vida dos outros, espera lá!!!

SR. Joaquim Ferreira,

Ensinaram-me há uns tempos que não devemos dar importância ao que não 
tem importância mas você serve-me como mote para abordar um assunto 
sobre um tema que merece a nossa atenção: 
 
o direito à diferença e sua liberdade. 
 
 
Recebi isto no email: 
 
Sou só eu a achar que os Jogos Paralímpicos são um espetáculo grotesco, 
um número de circo para gáudio dos que não possuem deficiência, apenas 
para preencher a agenda do politicamente correto? 
 
Dizia que tinha sido escrito no facebook.
 
Entre as pessoas com quem me dou, felizmente, ÉS! Nem todos temos a  sorte de não 
nos cair em cima tamanho preconceito.
 
Os paralímpicos?

Vi a sessão de abertura e fiquei admirado por tanta dignidade e coragem 
que aquela Gente teve num espectáculo comovente. Você sabe o que custou a 
cada um daqueles homens e mulheres estar ali? Pode parecer fácil mas custa
tanto ou mais do que a qualquer pessoa 'normal' e 'eficiente' superar aquelas 
adversidades.

Depois li o seu comentário e pensei:
 
‘está tudo louco? Em que mundo é que nós vivemos!?’ 
 
Temos a mania de colocarmos adversidade em vez de complemento (somos 
todos diferentes, felizmente!): 
 
- mulheres e homens; 
- culturas;
- raças;
- religiões; 
- jovens e adultos e idosos; 
- deficientes e eficientes 
- e por aí. 
  
PAZ: como o corpo funciona todo em vista aos mesmos objetivos também 
nós vivemos juntos e a melhorar. 
 
Vê-se por aqui o mundo de opiniões contrárias em que vivemos, ninguém 
gosta de ser deficiente. É vida: não adianta discutir com ela, todos
temos trajectos com mais e/ou menos buracos, curvas, mais chuva, vento 
e Ela torna-nos mais fortes e capazes de vencer adversidades a que todos 
– uns mais que outros - sujeitos mas por circunstâncias da vida tornar-nos
menos aptos/eficientes ao mundo padronizado para um modelo ‘normal’! 
 
A QUALQUER UM PODE ACONTECER!
 
Tenho alguma dificuldade para lidar com Ses; ah, eu explico: tive um acidente
em Novembro de 2006 e entrei na classe dos deficientes (podia ter sido 
diferente: melhor ou pior; podia ter morrido), ganhei interesse pela força que 
ganhamos quando em adversidade e desde lá evoluo…

O seu comentário no facebook meteu-me nojo, senti-me maltratado, como tu por 
seres homem e jornalista, tornei-me deficiente e tenho brio/orgulho nisso, 
tenho conhecido gente muito forte deficiente e na parte médica, de outra forma, provavelmente, 
nunca teria conhecido tantos nem dado este valor à vida que agora  dou...

Você nunca deve ter tido ninguém muito próximo com quem se preocupar e de quem 
cuidar ‘politicamente correctamente!’ 
 
A política como você fala  criou as guerras raciais por exemplo, a polis é onde 
todos vivemos e convivemos melhor e/ou pior, pobre ou rico, alto ou baixo, magro 
ou gordo, feio ou bonito, homem ou mulher, novo ou velho, TODOS devemos viver juntos 
a tentar tirar o máximo prazer em comum.

Faltou-lhe uma experiência importante e que não observou: a de viver numa sociedade 
padronizada onde temos de ser todos ‘normais’ ou ser cuidador (amigo e/ou família, 
ter alguém que amasse a precisar de apoio) e por isso fala em Grotesco. 
A experiência de te sentares numa poltrona do cinema após bilhete comprado e 
virem-te dizer no escuro ‘hoje pode ficar assim mas numa próxima vez você terá 
que se sentar na  sua cadeira de rodas por favor. Não é permitido usar uma nossa. 
A experiência de te sentires descriminado!!!

Aquela gente tem direito a viver como tu e eu e estão ali a dar espectáculo com 
muito menos dinheiro e mais dificuldades em tudo: tomar banho sozinho e passear 
por exemplos mais banais.

O MAL não é seu, é de uma sociedade (e o jornalismo também deve ter essa função 
Sr. presidente do Observatório da Imprensa) em que se observa pouco.

Olhamos pouco para o lado, vemos pouco, entendemos pouco mais do que o que se 
passa com o nosso umbigo. 
 
 

pão fresco vindo directamente da China!?

'Just made, doughnuts? extremely warm...' (alusão introdutória a um vendedor de bolas de Berlim do Alvor)


A globalização, o protecionismo, o Pingo Doce e o prego no caixão (por José Vítor Malheiros)

A loucura de fazer os alimentos darem uma volta ao mundo de avião antes de chegarem ao nosso prato


“O autêntico novilho Angus nacional”. À campanha publicitária do Pingo Doce não falta o carimbo “Produto nacional” a encimar as cores da bandeira nacional. Como em toda a publicidade, o que conta não é o que se diz mas a mensagem subliminar, que é clara: os supermercados Pingo Doce apostam na produção nacional. Alexandre Soares dos Santos pode não gostar de pagar impostos em Portugal mas quer dar a impressão de que se preocupa com a economia nacional.

A mensagem só é bizarra porque vejo-me sempre aflito para encontrar produtos frescos nacionais no Pingo Doce. A carne de porco nacional aparece nas prateleiras do Pingo Doce quando o rei faz anos e é preciso um exercício de insistência no balcão do talho para conseguir que nos digam a origem da carne exposta nas vitrines. Bifanas, costeletas, lombo, entrecosto? A origem é quase sempre espanhola. Em Portugal não se produz porco? Sim, mas o Pingo Doce prefere comprar em Espanha, apesar dos suinicultores portugueses não conseguirem escoar os seus produtos. Há excesso de produção nacional? Segundo os suinicultores, não. O porco nacional só cobre 65 por cento das necessidades, mas mesmo assim importa-se mais porco do que seria necessário: todas as semanas, dizem os suinicultores, entram em Portugal 24 mil porcos vivos e mil toneladas de carne de porco.

Será o porco espanhol melhor? Não. O porco nacional é excelente. Será o porco português tão caro que o seu preço é proibitivo para o Pingo Doce? É pouco provável, já que a mesma empresa faz uma aposta na cara carne de novilho. E, mesmo que o porco nacional fosse mais caro, haveria clientes que o prefeririam ao espanhol. E talvez o Pingo Doce pudesse fazer pelo porco uma campanha semelhante à que faz pelo novilho nacional. Mas não é só o porco que é importado. O Pingo Doce vende frango nacional, mas já os perus nas prateleiras vêm todos da Alemanha e de Itália. E os ovos que parecem nacionais escondem nos carimbos o FR de França.

A fruta é outro caso. Há laranjas e toranjas da África do Sul, pêros Golden de Itália, mamão do Brasil, maçãs reinetas de França, abacate do Peru, kiwis da Nova Zelândia, limões do Chile, mangas de Israel, bananas da Colômbia e tudo o que se possa imaginar de Espanha, ao lado das uvas, pêras Rocha, melões e pêssegos portugueses. O panorama é o mesmo noutras cadeias de retalho alimentar.
Há quem chame ao facto de se poder comer morangos e cerejas todo o ano, vindos do outro lado do mundo, a maravilha da globalização. E a cimeira do G20 que ontem terminou na China, e todas as cimeiras, batem-se contra “o proteccionismo” que possa dificultar o comércio mundial. Os países emergentes e ricos exigem fronteiras abertas para os seus produtos, os bancos exigem fronteiras abertas, a UE lembra que foi para isso que foi inventada e os poderes garantem que essa é a única salvação do mundo.

Em teoria, a liberalização do comércio mundial promove a adopção das técnicas de produção mais eficientes, o progresso económico e a evolução tecnológica. São esses os argumentos em defesa do “mercado livre” e de crítica do proteccionismo. Na prática, porém, a guerra ao proteccionismo tem outras consequências: em muitos casos, os produtos mais baratos não o são por serem produzidos de forma mais eficiente mas apenas porque a sua produção não respeita a protecção dos trabalhadores (salários, segurança, saúde) nem a defesa do ambiente e, assim, o efeito que exercem nos mercados onde são vendidos traduz-se numa pressão para a redução local dos direitos humanos e da protecção do ambiente. Um retrocesso em vez de um progresso. Veja-se o que se passa na negociação dos acordos TTIP e CETA, que a União Europeia negoceia com os Estados Unidos e o Canadá, onde, em nome da protecção do comércio livre, as grandes empresas mundiais exigem ser dispensadas de respeitar regras legais, ambientais, laborais e sanitárias, numa atitude criminosa que põe em causa adquiridos fundamentais da civilização.

Para além deste impacto, o simples facto de um produto ser transportado milhares de quilómetros para ser vendido noutro país produz um grau de poluição cujo custo social é sempre suportado pelos cidadãos, em benefício das empresas.

Soares dos Santos pode ganhar mais dinheiro a vender no Pingo Doce os kiwis que compra na Nova Zelândia, mas esses kiwis só são mais baratos porque o custo do seu transporte não considera os malefícios causados pelas emissões de CO2 que esse transporte provoca - alterações climáticas, catástrofes ambientais - que são sempre pagos pelos cidadãos. O proteccionismo cego é uma má opção, mas a loucura de fazer os alimentos darem uma volta ao mundo de avião antes de chegarem ao nosso prato está a pregar pregos no nosso caixão.

Por isso, seria uma boa ideia se Soares dos Santos e os outros retalhistas, por uma vez, fizessem aquilo que dizem e se dedicassem mesmo a vender os produtos nacionais. Podem continuar a enriquecer e o planeta agradece.

10 agosto 2016

AMANHÃ o dia será melhor (link novo para texto bom)

 

Filme (VER SITE) a não perder, uma chapada de otimismo!

um bocadinho do filme.

Pensar no início do séc. XX e comprar com agora e perceber que a diferença é Enorme leva-nos a crer na diferença que teremos a raça humana no séc XXII...


Mostra  que é possível viver de outra forma, melhor e mais de acordo com a natureza de que fazemos parte!


Respeitando-a!


Um SR Filme: muito bom!


E se mostrar soluções, contar uma história positiva, fosse a melhor
forma de resolver as crises ecológicas, económicas e sociais que
atravessam o nosso mundo? Após a publicação de um estudo que anuncia a
possibilidade do desaparecimento da humanidade até 2100, Cyril Dion e
Mélanie Laurent partiram com uma equipa de quatro pessoas, para
investigar em dez países aquilo que poderá provocar esta catástrofe e,
sobretudo, como evitá-la. Durante a sua viagem, encontraram pioneiros
que reinventaram a agricultura, a energia, e economia, a democracia e a
educação. Ao juntarem todas estas iniciativas positivas, eles começam a
ver emergir aquele que poderá ser o mundo de amanhã…


“A qualidade das imagens e a clareza das explicações conferem-lhe um valor pedagógico inegável.”

“’Amanhã’ está cheio de iniciativas positivas. O filme prova
sobretudo que cada um de nós pode realmente contribuir para criar o
futuro.”



06 agosto 2016

elogio à pessoa



Paulinho da Viola canta o Hino Brasileiro na abertura dos JO's 2016 que se iniciaram ontem no Rio de Janeiro num espectáculo espectacular imperdível!!!

04 agosto 2016

a escrita...

 


... e sua criação e passar de geração em geração, de pais para filhos, é das coisas mais bonitas, desafiantes, maravilhosas e estimulantes que o Ser Humano inventou!

Não ter acesso a este fabuloso mundo é ficar aquém das possibilidades de existirmos e pensarmos.

Muito se escreve, cada vez mais, mas escreve-se talvez pior, muita gente escreve (tornando-se mais complicado encontrar os Eças de Queiroz que existem neste mundo) pior e mensagens rápidas que não estimulam os leitores/escritores e passam imagens que não fazem crescer os leitores, nas redes sociais, em blogues ou SMS de LOL's (Laughing Out Loud :)

Em papel (embora haja muita literatura da tanga...), tem qualquer coisa de senão melhor, de diferente, escrever à mão: é mais exigente, não podemos apagar sem estragar o documento, muda a forma de pensar, quando escreves tens mesmo  que estar convicto do que vais/queres escrever. Requer um tempo mais recolhido e longe dos ecrãs...

Procriar imaginações do qual ERA UMA VEZ será o exemplo melhor do muito que podemos criar e dá vontade de inventar! :)

Era uma vez... um sonho de criar um livro que pudesse ir sendo escrito e lido por muita gente boa como um piquenique onde há muita gente boa a partilhar alimentos, amizade e bem estar na natureza e nascimentos de coisas boas... escrever um livro em conjunto (!?) ultrapassando a ideia da escrita ser individual e dotá-la da componente social.

O sonho que mais que a preocupação com saber se as regras do acordo ortográfico são cumpridas mudasse para a introdução acelerada do inglês na língua lusitana...

E o sonho de...


-  vou  ler!!! -

A de cunhados





Vale muitooo tururuuu paparaaa do-it-do-do

01 agosto 2016

é extasiante a quantidade de coisas que nos acontecem.



'o mundo dá muitas/tantas voltas e por isso há tantos tontos nele...'
 
se cada um de nós prestasse atenção à maravilha que é estar vivo andava tudo arregalado e admirado, extasiado e fascinado, apaixonado pela loucura de estarmos vivos!!!

Isto da vida e do mundo foi muito bem Esgalhado!

É fascinante a vida em cada pessoa, ideia e corpo com tanta coisa a funcionar ao mesmo  tempo (ATENÇÃO para cada palavra e passo) para correr melhor.

Quanto mais fizermos melhor fazemos, cada célula, cada função, cada membro, cada corpo (é um mundo com tanta coisa diferente), cada pessoa (e somos tantos a nascer mais todos os dias), cada sitio (o mundo é imenso, não gosto nada do sistema centro comercial onde aqui e em Londres ou Paris, em todo o lado, tudo é igual); o tempo cronológico (com segundos, minutos, horas, dias, semanas, meses, anos, décadas, séculos) e meteológico (com chuva, granizo, trovoada, tempestades, brisas, vento, sol, bronzes e escaldões) é mágico.

A realidade é mágica e a magia real!!!!!!!!!!!!!

o voo do homem: Luke Aikins

Luke Aikins, o homem que saltou em queda livre (sem pára quedas) a 25 mil pés e sobreviveu. 

 A história nunca pode ser travada!

29 julho 2016

há qualquer coisa...



... para ser construída em nós e na sociedade!

... que temos a responsabilidade de passar/dar ao Outro: confiança e segurança no amanhã!Optimismo a passar! (veja-se o brilhante papel que Marcelo tem tido a levantar a moral nacional, está em todo o lado ele; depois do Cavaco que parecia um morto vivo precisávamos desta energia boa para viver melhor...);

...da incerteza do tempo e no futuro que é boa, ninguém gosta de tudo muito definido ou eu, pelo menos, não gosto!

... de bom em ter surpresas boas!

... em quebrar rotinas e desligar de ver/ler noticias (sempre negras, parece um mundo diferente do meu...) que nos carrega as ideias de coisas positivas e vontade de fazer melhor!

25 julho 2016

A essência

A essência da vida são os outros. A nossa época é-lhes contrária por várias estupidezes. As pessoas vangloriam-se de ser independentes, individualistas, auto-suficientes, egocêntricas, únicas, solitárias, livres. Dizem: “Quero lá saber o que os outros pensam!” sem perceber a terrível vaidade que isso implica.

Para ter a noção do pouco que valemos, basta subtrair ao que somos o que aprendemos, o que lemos, o que vivemos com os outros. É só ver o que fica. Coisa pouca. Sózinho quase ninguém é quase nada. É somente juntos que podemos ser alguma coisa. A verdade é que devemos tudo a quem já deu, já morreu, já disse, já escreveu. E a nossa felicidade devêmo-la, não a nós próprios, mas a quem vive ou viveu ao pé de nós. Será isso o que custa tanto a aceitar.

(...) No pouco tempo em que vivemos e trabalhamos, limitamo-nos a acrescentar um ponto ou outro à soma que já existe. Um dia morremos. A morte é o preço que se paga pelo facto de vivermos tão facilmente. Pelo facto de não termos de inventar a língua que se fala de não escrevermos os livros que se lêem, de não fazermos o pão que se come, de não sermos obrigados a estabelecer e a negociar as regras com que se vive.

Os outros são a sorte que nos cabe, são o azar que nos calha. São o nosso último recurso e a nossa primeira obrigação. Esta é a essência da sociedade. Enriquecemos quando os outros são ricos, empobrecemos quando eles são pobres. Deixêmo-nos de betices. O sentimento mais importante de todos é a solidariedade.

(...) Os outros são a nossa única justificação possível. Segui-los e servi-los , por questões de sabedoria e sentimento, é a nossa mais maravilhosa oportunidade.

O essencial é amar os outros. Pelo amor a uma só pessoa pode amar-se toda a humanidade. Vive-se bem sem trabalhar, sem dormir, sem comer. Passa-se bem sem amigos, sem transportes, sem cafés. É horrível mas uma pessoa vai andando.

Apresentam-se e arranjam-se sempre alternativas. É fácil.

Mas sem amor e sem amar, o homem deixa-se desproteger e a vida acaba por matar.

Philip Larkin era um poeta pessimista. Disse que a única coisa que ía sobreviver a nós era o amor. O amor, Vive-se sem paixão, sem correspondência, sem resposta. Passa-se sem uma amante, sem uma casa, sem uma cama. É verdade, sim senhores.

Sem um amor não vive ninguém. Pode ser um amor sem razão, sem morada, sem nome sequer. Mas tem de ser um amor. Não tem de ser lindo, impossível, inaugural. Apenas tem de ser verdadeiro.

O amor é um abandono porque abdicamos, de quem vamos atrás. Saímos com ele. Atiramo-nos. Retraímo-nos. Mas não há nada a fazer: deixamo-lo ir. Mais tarde ou mais cedo, passamos para lá do dia a dia, para longe de onde estávamos. Para consolar, mandar vir, tentar perceber, voltar atrás.

O amor é que fica quando o coração está cansado. Quando o pensamento está exausto e os sentidos se deixam adormecer, o amor acorda para se apanhar. O amor é uma coisa que vai contra nós. É uma armadilha. No meio do sono, acorda. No meio do trabalho, lembra-se de se espreguiçar. O amor é uma das nossas almas. É a nossa ligação aos outros. Não se pode exterminar. Quem não dava a vida por uma amor? Quem não tem um amor inseguro e incerto, lindo de morrer: de quem queira, até ao fim da vida, cuidar e fugir, fugir e cuidar?

(...) A essência da vida está fora de nós. Está nos outros todos juntos, sem lugar, sem tempo, sem saber como. A única coisa que temos é o amor.


CARDOSO, Miguel Esteves



13 julho 2016

a vida é um piquenique :) (mudança de poiso para Quinta da Ribafria)

olá gente boa!

esta tarde ia a subir para as Casas Novas/Almoçageme/direcção Serra de Sintra e comecei a sentir um briol já meu conhecido doutros piqueniques.

Entre Lourel e a Várzea de Sintra (entre Sintra e a Praia das Maçãs e Praia Grande...) há um espaço fixe:
   
vocês são tantos, vamos ser muitos :)

tragam amigos!
30 de Julho, sábado, pelas 12h, estamos lá a respirar fundo!?



'A vida é um piquenique!'


BOM DIA!
O primeiro piquenique correu bem e embora frio sentiu-se energia e o calor humano da Amizade que junta a gente boa quando se encontra.
Portanto, espera-se mais: sugiro novo piquenique dia 30 de Julho, sábado, já devem estar ‘esta alminha não tem mais nada que fazer do que pensar em piqueniques...’
Mas é uma última chamada para embarque...


Vem fugir ao calor e aproveitar o fresco da maresia e da sombra (pareço um guia turístico) com um 'a vida é um piquenique!' em trinta de Julho, sábado, ao longo do dia e da noite na zona de Sintra ( juntos é simples e exigente mas não fácil existir); venham todos festejar: bebés, crianças, adolescentes, novos, meia-idade, e velhos, escanzelados, anafados, gordos e magros, homens e mulheres, nacionais e estrangeiros, regionais, do norte, do centro, do sul, de longe e de perto, negros, morenos, loiros, amarelos e brancos, grávidas, todos: vamos ser muitos!!!
Vamos partilhar gostos e sabores; personalidades diferentes constroem o puzzle do descobrir, não deixemos peças vazias e em branco; sejamos curiosos! Com aquele diferente eu vou… e construo-me!
Vamos brincar ao jogo da descoberta, do Ser Estrangeiro: descobrir espaços e tomarmos conta deles, melhorá-los, estaremos todos juntos longe e no desconhecido.
Inventar e descobrir sabores, gostos e prazeres.
Trazer muita comida e bebida ‘quentinha’, doce e ácida a partilhar. Carne, Peixe, Vegetais, Alimentos energéticos: vai-se tornar em nós…
Reafirmar coisas que saibam bem e que passam de geração em geração mesmo quando a morte nos separa e vivermos felizes para sempre.
Conversar, pensar, imaginar, desenhar, escrever palavras, frases, textos, ouvir música e ritmo com e entre gente boa; criar projetos, ter ideias e desafios que façam avançar.
Cantar e dançar, dar vontade de fazer coisas boas e exigentes; e no meio disto tudo: descansar, preguiçar e inventar sonhos.
Acreditar no mundo, na criança que nasce, em fazê-la sorrir a pensar e criar, motivá-la;
Andar e falar bem,
Mimar e ser mimado,
Passear,
Dar luta,
Tornar existir lutador,
Às vezes fácil,
Mas, a maior parte do tempo, difícil para ter piada/graça,
Tentar fazer nascer sorrisos nos outros,
Agir longe e perto,
Com leveza,
Estar sozinho e aos magotes,
Refugiado e em matilha.
Juntar gente, juntar pessoas, juntar malta boa: juntar!
Comer,
Saborear,
Cozinhar,
Refrescar,
Ternura,
Carinho,
Sentir,
Ouvir,
Olhar,
Encostar,
Acarinhar,
Amaciar: gente amiga a conversar alegre.
Desafios que põem em causa,
Cansar e descansar,
Viver o tempo e espaço,
Jogos e construções,
Ar fresco a inspirar e ir a toda a célula,
Natureza viva,
Humanos e animais,
Sol e cor,
Bons Sabores,
Luz e calor no corpo,
Sombra e líquidos ‘quentinhos’.



11 julho 2016

a sorte ajuda às vezes; o trabalho ajuda sempre

Com a lesão do do Ronaldo mostraram-se as forças da equipa: a Humildade e que da união se faz força!


----  Portugal, CAMPEÕES DA EUROPA 2016!!! ----

10 julho 2016

só pode correr bem




O Ronaldo adora show offs e vai ter os holofotes todos em cima dele: o puto mesmo quando  joga mal é muito bom!
e tem sido um excelente capitão a unir a equipa.

É um grupo coeso e equilibrado!
A zona central diz tudo: Rui Patrício, Pepe, Ricardo Sanches e Ronaldo.
 E tem sido uma campanha em crescendo: é melhor começar mal e acabar bem!

E os hinos do combate moderno ouvem-se: 
'Allons enfants de la patrie (...)' da Marselhesa contra um português conquistador... (...) Que há-de guiar-te à vitória! (...)  


ah, já me esquecia que temos um adversário:França, a anfitriã!
Eliminaram os campeões do mundo: a Alemanha, que nos deu 4-0 nessa altura no Brasil há dois anos.

vou ver a bola!!!!


04 julho 2016

La historia de las miradas, olhares




Para acabar de vez com a União Europeia

A receita é infalível. Basta continuar no caminho actual. 

Em primeiro lugar deve-se continuar sem consultar os povos. Evitar ao máximo que ocorram referendos. E quando estes derem resultados errados é repeti-los até as pessoas acertarem na resposta certa. Sobretudo cada vez que a vontade de um povo for de rejeição do que as elites propõem nunca hesitar em propor mais do mesmo ou até um aprofundamento mais sério e empenhado da política de integração. Por exemplo: os povos não querem mais união política? Que obtusos! Avance-se com mais federalismo!

Em segundo lugar desrespeitar ao máximo o princípio da subsidiariedade. Porquê deixar aos parlamentos nacionais aquilo que se pode fazer no Parlamento Europeu ou decidir na Comissão? 
 Então o mundo não é global? Deus nos livre de cada país ser independente! Sabe-se lá o que esses povos, deixados a si mesmos, podem fazer… única excepção: quando em alguma matéria quase dois milhões de cidadãos europeus (no caso a primeira vez em que o instituto da Iniciativa Europeia de Cidadãos era usado) se dirigirem à Comissão Barroso, pedindo a protecção do embrião humano, chutar para canto, não cumprir a lei europeia e dizer que a matéria deve ser regulada a nível nacional.

Em terceiro lugar há que legislar a torto e a direito, uniformizando sem hesitações. Da curvatura do pepino à acidez das maçãs, das medidas das embalagens ao tamanho dos envelopes, da estrutura dos cursos universitários ao mais simples dos assuntos, temos de ser europeus, ter as mesmas normas, ser tudo igual. Mesmo que isso destrua os campos, conduza ao desperdício, aniquile indústrias ou simplesmente tire graça à vida. Claro que isto exige uma estrutura burocrática e pesada. Ideal para que ninguém consiga opor-se, para ninguém ser questionado ou responsabilizado. Em cada país haverá sempre uns serventuários a explicarem: estamos na Europa, tem de ser assim…quanto mais tropeçarmos no caminho, mais veloz se deve ir em frente.

Em quarto lugar, haja respeitinho. “A França é a França” e a Alemanha é a Alemanha. Regras e sanções são para os pequenos. Somos todos iguais mas há uns que são mais iguais do que outros. Quem paga, manda. E isto que é uma lei da natureza e justa até, não pode nunca ser dito, mas deve ser observado. Importante repetir à exaustão que os países são todos iguais, que todos contam e todos decidem. Se porventura algum país se opuser a isso ou ameaçar sair há que ser implacável: desenhar um cenário catastrófico, dizer que vai ser o fim do mundo, esconder que ninguém vai querer acabar com um mercado comum nem com as vantagens verdadeiras da paz, da livre circulação e da liberdade. Não esquecer de omitir que se pode fazer parte da Europa, sem se fazer parte da União Europeia.

Em quinto lugar, fazer tudo o possível para omitir as raízes cristãs da Europa (foi o cristianismo que deu origem a um continente que não é físico mas cultural) e todas as consequências chatas desse facto: primado da dignidade humana, respeito da lei e da democracia, solidariedade. Neste ponto ter o cuidado de transformar as instâncias europeias no lugar onde se possa ganhar na secretaria o que se perde ou se pode perder no jogo nacional: todas as questões fracturantes, a inteira agenda lgbt, o paganismo animalista, etc. Não esquecer, e a propósito, de diabolizar qualquer país que não alinhe pelo diapasão do politicamente correcto, mesmo e sobretudo, se assim é pela vontade do respectivo povo. Se resistirem, dar-lhes ideologia do género a rodos…

Assim procedendo, se acabará seguramente com a União Europeia. Dando aos populistas uma vitória que nunca alcançariam sem a preciosa ajuda do europeísmo cego e antidemocrático. Uma ditadura do politicamente correcto que esmaga a liberdade dos povos. Até ao dia em que estes dizem basta e de tão fartos catapultam onde nunca chegariam os mais disparatados dos políticos e as mais irrazoáveis das propostas. Será que é desta que aprendemos a lição? Ou isto é mesmo necessário para que a Europa recupere a sua alma?

03 julho 2016

puxei um bocado a brasa à minha sardinha ;)

a agenda cultural esteve preenchida:


Um convite de uma Amiga (deixava-me garantia de qualidade) para seu trabalho deixou-me desperto para esta peça... entrei antes do público e assisti ao aquecimento dos actores (percebo agora que era indispensável) e assisti a um espectáculo onde ser actor tinha imensa ginástica e a modernidade foi descrita como com falta de tempo para ser e existir ou pelo menos assim compreendi.

Sinopse (por comuna  e joana pupo):
NOS INVERTEBRADOS é um espectáculo a partir do Conto Zapatista “La Historia de Las Miradas”. Um grupo de indivíduos encontra-se num espaço onde a festa é obrigatória. Este é o novo contexto onde os ingredientes do Conto se reorganizam e ganham novos pontos de vista. O olhar, o encontro, os deuses, a queda ou o mundo ao contrário são elementos que se deslocam do lugar da festa e do espectáculo para a nossa vida, onde o encontro e a pergunta são finalmente possíveis.

A Novamente faz coisas giras e inseriu uma actriz com o papel da sociedade que acusa as limitações como ficando melhor em casa. 6 atores deram de si em tripé, andarilho, de cadeira de rodas, sem nada e falando melhor e pior no  Teatro Gil Vicente em Cascais.


SINOPSE (por novamente):
Poderíamos falar de outras coisas, mas porque não, numa primeira criação deste grupo, começar por ai mesmo – um tempo que mudou, pessoas que se transformam, uma sociedade que se move como uma criança imatura.
Há uma velocidade imposta na conquista de um centro, conceito abstracto criado pelo colectivo social sobre um lugar de prosperidade. Se ele existe?! Por vezes está lá, como um pote de ouro no fim do arco-íris, mas na verdade não é mais que uma utopia que vive no horizonte para nos ajudar a continuar o caminho. Neste local, aqui neste momento presente, falamos de uma pancada que trouxe um visto invisível para um mundo com um outro tempo e corpos que procuram outras formas de expressar o belo.
No termo em grego EMPATHEIA significa “paixão, estado de emoção” e pressupõe uma comunicação afectiva com outra pessoa, é um dos fundamentos da identificação e compreensão psicológica de outros indivíduos.
A empatia é diferente da simpatia. Enquanto a simpatia indica uma vontade de estar na presença de outra pessoa e de agradá-la, a empatia faz brotar uma vontade de compreender e conhecer outra pessoa. É a capacidade de se projetar no lugar do outro, de olhar para o mundo pelos olhos dos outros.
A empatia leva as pessoas a ajudarem-se umas às outras. Esse é o nosso centro. O que aqui procuramos alcançar. Com calma, com tempo para respirar fundo, despindo-nos das dores, reinventando-nos e rindo de nós próprios.

Numa critica à sociedade moderna que não vê porque não tem tempo aparece uma classe que resolveu necessitar de tempo e reaprender a viver: as pessoas com TCE  adoptaram com algum sarcasmo a necessidade de saborear esta segunda oportunidade para viver.

Viver com mais Força, melhor... 
Há males que vêm por bem e olhar (mirar), andar, falar, comer, respirar, nadar, escrever, pensar, etc. tem a simplicidade de todos podermos fazer mas a dificuldade está mesmo nisso (se fosse fácil não tinha piada:): de ser simples e estar acessível a todos.

Caminhar nas cidades com um olho estrábico

Mostra-me como te moves no teu espaço e eu dir-te-ei quem és. Este ano, podia ter sido este o mote da habitual mesa que a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP) dedica à arquitectura, por onde já passou, em 2013, o Pritzker português Eduardo Souto de Moura. Juntos em palco estiveram Francesco Careri  que formou em Roma o colectivo Stalker/Osservatório Nomade e é o autor do livro Walkscapes: o caminhar como prática estética – e a arquitecta e académica Lúcia Leitão, que no seu trabalho utiliza a psicanálise e a interpretação proposta por Gilberto Freyre para pensar as cidades brasileiras contemporâneas.  

Há dez anos que o arquitecto italiano dá um curso na Universidade de Roma a que se chamou Arti Civiche (artes cívicas). É sempre dado na rua, até os exames. Professor e alunos encontram-se uma vez por semana e caminham durante um dia inteiro até ao pôr-do-sol, com paragem para um piquenique. Percorrem em média 11 quilómetros em cada etapa e, uma semana depois, recomeçam do ponto onde terminaram. Andam a esmo, sem direcção. Caminham com “um olho estrábico” que, como explica Careri, olha para tudo aquilo que os pode desviar do percurso marcado: “Normalmente é esse olho que vence, é ele que nos leva para as áreas mais interessantes."
Quando se caminha ou se percorre uma cidade de carro atravessam-se lugares que não correspondem à ideia que temos dela. Careri diz que temos “amnésia urbana”, porque esses lugares são rapidamente apagados do nosso mapa mental. “O que faço desde 1995 com os meus alunos e com o meu grupo Stalker [título inspirado no filme homónimo de Andrei Tarkovsky] é entender que existem regiões de sombra, que há uma parte escondida – um inconsciente da cidade.”

Nesses percursos há sempre algo a descobrir. O arquitecto lembra que existem fenómenos urbanos que não estão nos livros de urbanismo, sociologia urbana, antropologia ou geografia. São fenómenos móveis, ou cujas necessidades foram atendidas e por isso deixam de existir. A única maneira de os encontrar é perdendo-nos na cidade. “Todos podemos fazê-lo, basta sair-se de casa com esse espírito explorador”, acrescenta Careri. Só que andar para além do limite "é uma acção ilegal": "Se eu fizer nos Estados Unidos o que faço em Itália posso ser preso, porque lá a propriedade privada é sagrada. Para nós, latinos, é mais ambígua. Podemos jogar com os limites e com as fronteiras. E se conseguirmos passar por cima dessa fronteira vamos descobrir que existe um caminho novo. Fiz isso na Bahia e em São Paulo e estou vivo."

Logo que começa o curso, conta, costuma perder todos os alunos anglo-saxónicos ou alemães, absolutamente incapazes de ultrapassar o primeiro muro de propriedade privada com que se deparam. Oitenta por cento do curso realiza-se em lugares onde não se pode entrar. Os latinos costumam ficar. No final do percurso, que demora um semestre inteiro, o professor pede aos alunos que escolham um espaço onde queiram intervir arquitectonicamente. Costumam dizer-lhe que sentem que a sua geografia mental se ampliou. A ideia que tinham de cidade, com buracos e espaços vazios, ficou preenchida. A amnésia urbana desapareceu.

É também por isso que o professor, que em 2009 esteve a fazer um destes percursos em Lisboa, costuma pedir aos alunos que desinstalem dos seus computadores o AutoCAD, um programa de desenho usado para realizar projectos. “Hoje, as nossas faculdades produzem os chamados 'CAD monkeys', macacos do CAD, arquitectos que ficam no computador de auscultadores, a olhar para o ecrã e a obedecer às ordens de um chefe, normalmente uma archistar – que pode ser um Frank Gehry ou um Jean Nouvel – e cujo único desejo é um dia vir a ser como eles."

Talvez não seja possível actualmente fazer-se arquitectura sem computador, mas Careri assegura que os seus alunos saem do curso com “liberdade de imaginação”.

Muitas pessoas optarão por não caminhar pelas cidades por causa do que isso implica. Como lembrou Lúcia Leitão, andar na cidade “é obrigatoriamente ter o outro em face”. Há mesmo um autor americano que diz que uma cidade sem lugares para caminhar é uma cidade sem lugar para a alma. E essa é uma marca da cidade brasileira. “Porque, na realidade, nós nos constituímos como sociedade negando a rua”, argumenta a arquitecta, explicando que, na história do Brasil, a rua era o lugar “que só os escravos frequentavam, tinha um uso servil e uma função plebeia”. Isso acabou por se inscrever na sociedade como uma marca identitária e daí a dificuldade que existe, no Brasil contemporâneo, de se conviver com a diferença: “Como nos negámos a viver a rua, também não aprendemos a dimensão básica da urbanidade que é reconhecer a diferença. Abrimos mão disso e em consequência somos uma sociedade mais pobre."  

A arquitectura não é nem nunca foi neutra. Também “não nasce do brilhantismo do arquitecto, por mais competente que ele seja”. No traço do arquitecto “está embutido” tudo o que ele é e toda a cultura de onde vem. “No Brasil colonial habituámo-nos a viver o espaço privado – porque a rua era do plebeu – e na contemporaneidade isso foi revisto e actualizado com a criação de condomínios fechados – contra a rua, contra o outro, contra quem não tem a mesma classe social ou a mesma educação. A isso acrescenta-se a construção dos centros comerciais onde as pessoas podem fazer tudo sem sair de lá."

O arquitecto italiano contrapôs que na Europa a realidade ainda é diferente da dos países da América Latina ou dos Estados Unidos. “Caminha-se em qualquer lugar, o território é nosso, porque o reivindicámos”, disse, lembrando que ensinar a caminhar é um grande acto de democracia.

Mas a Europa enfrenta outros problemas. Já no final da conversa, houve perguntas do público sobre a crise dos refugiados, questionando se através da reorganização do espaço arquitectónico é possível incluir os que chegam numa cidade. Francesco, que acompanha o fenómeno migratório já há quase 20 anos, contou que em 1999, com o seu grupo, ocupou um edifício no centro de Roma, um ex-matadouro da cidade, para o abrir a refugiados curdos. “Recuperámos o edifício para mostrar que era possível construir um espaço hospitaleiro para os refugiados. Continua lá. É a obra de arquitectura mais importante que realizei com o Stalker/Osservatório Nomade. Habitualmente os campos de refugiados estão a 50 quilómetros das cidades. Este centro era administrado pelos curdos e sem se pedir um tostão à economia pública. Criámos um modelo para acolher.”

Hoje, diz o arquitecto, é urgente reorganizar as cidades europeias: abandonar os campos de refugiados que parecem prisões e construir bairros interculturais onde seja possível encontrarmo-nos com o outro.